Especialista do Hospital Madrecor, da Hapvida em Uberlândia-MG, explica como o amanhecer tardio confunde o relógio biológico e aponta os erros comuns na rotina que roubam a energia nas manhãs frias

Se você tem sentido uma dificuldade para sair da cama nas últimas semanas, a matemática do relógio e a geografia explicam o porquê. No inverno, o amanhecer nas regiões Sudeste e Centro-Oeste atinge seu horário mais tardio do ano, com o nascer do sol entre 06h33 e 06h45 em capitais como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Goiânia. Quem desperta entre 5h30 e 6h30 nessas regiões precisa iniciar as atividades diárias no breu total.

Essa falta de luz natural nas primeiras horas do dia atrasa a sincronização do relógio biológico, mas o problema esconde também erros comuns de rotina. Quem faz o alerta é o médico, Heitor Bertoni, clínico geral do Hospital Madrecor, unidade da Hapvida, em Uberlândia.

O mito da melatonina

Por conta do amanhecer tardio há uma redução na exposição à luz matinal. Segundo Heitor Bertoni, ao contrário do que propaga o senso comum, o inverno não aumenta de forma generalizada a produção de melatonina, conhecida popularmente como o hormônio do sono.

O médico ressalta que a substância funciona, na verdade, como um marcador biológico de que a noite chegou, e não exatamente como um sedativo natural. ” Por conta do amanhecer tardio há uma redução na exposição à luz matinal. Essa luminosidade nas primeiras horas do dia é um dos principais sinais que ajudam a adiantar e sincronizar o relógio circadiano (relógio biológico). Quando esse estímulo chega mais fraco ou mais tarde, o organismo pode demorar um pouco mais para consolidar o estado de vigília, algo mais perceptível em quem já tem tendência a dormir e acordar tarde”, explica o clínico geral.

Segundo o médico, a dificuldade de levantar costuma ter causas bem menos complexas: “sono insuficiente, horários irregulares, uso de telas até tarde, múltiplas sonecas e despertar antes do horário biologicamente adequado”, enumera.

O perigo de “negociar” com o despertador

O especialista do Hospital Madrecor aponta que o maior erro na rotina matinal durante a temporada de frio é transformar o ato de acordar em uma negociação interminável.

Passar minutos no quarto escuro checando o celular logo após despertar oferece ao cérebro o comando inverso do necessário, mantendo o corpo sonolento. “A pessoa permanece no quarto escuro, usa o celular ainda deitada e passa vários minutos recebendo estímulo digital sem oferecer ao cérebro os sinais de que o dia realmente começou. A opção “soneca” no despertador parece um pequeno ato de rebeldia, mas geralmente é apenas um empréstimo de minutos com juros altos”, adverte Heitor.

Ciência prática contra o “frio na cama”
Para ajudar a população a vencer o desânimo matinal de forma saudável, o médico do Hapvida valida três pilares fundamentais para o cérebro despertar melhor: luz, movimento e regularidade.

Ele detalha dicas práticas para aplicar no dia a dia:

  • Busque a luz natural: abra as cortinas imediatamente ao acordar. “Ao chegar à retina, essa luz comunica ao cérebro que o período diurno começou, ajuda a adiantar e sincronizar o relógio biológico, reduz o sinal noturno da melatonina e aumenta o estado de alerta”, afirma. Vale permanecer por alguns minutos em uma janela bem iluminada ou área externa.
  • Beba água conforme a sede: a hidratação ao acordar repõe os líquidos perdidos na respiração durante noites frias e secas. Mas o médico desmistifica receitas milagrosas: “A temperatura da água não acelera o metabolismo, não queima gordura e não proporciona desintoxicação do organismo. Morna, fria ou em temperatura ambiente: o benefício principal é a hidratação”.
  • Movimente-se antes de levantar: no frio, a tendência é dormir encolhido para reter calor, o que gera rigidez muscular matinal. “Espreguiçar-se pode ajudar, porque promove movimento gradual, melhora a percepção corporal e reduz a sensação de rigidez. O ideal é começar devagar: movimentar tornozelos e punhos, estender braços e pernas, girar suavemente o tronco e só depois se levantar”.

Sinal de alerta

Heitor Bertoni lembra que sentir um pouco mais de preguiça no inverno é compreensível, mas o cansaço persistente e desproporcional, que compromete as atividades diárias, exige investigação médica.

Sintomas intensos podem indicar desde problemas na tireoide (como o hipotireoidismo) e anemia, até quadros de depressão e Transtorno Afetivo Sazonal. “Nenhuma rotina matinal elegante consegue corrigir uma dívida crônica de sono. Pequenas mudanças consistentes na rotina costumam ter muito mais impacto sobre a disposição do que qualquer receita milagrosa da internet. Três despertadores, sete cafés e uma crise existencial antes das oito da manhã não são uma personalidade sazonal, podem ser apenas privação de sono usando cachecol”, finaliza de forma bem-humorada o clínico geral do Hospital Madrecor.

Sobre a Hapvida

Com mais de 80 anos de experiência, a Hapvida é hoje a maior empresa de saúde integrada da América Latina. A companhia, que possui mais de 75 mil colaboradores, atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.
Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado de ponta a ponta com uma rede de 84 hospitais, 75 prontos atendimentos, 367 clínicas médicas e 313 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades especificamente voltadas ao cuidado preventivo e crônico. Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.

Érica Magalhães
Assessora de Imprensa