Cotidiano

ERA UMA VEZ O NATAL

Por José Airton Oliveira

Existiu um tempo, lá pelos idos dos meus avós que meu Natal era enorme, como um grande balão colorido carregado de felicidades. Esse balão sobrevoava o nosso céu, ali mesmo onde nos reunia para comemorarmos o nascimento do menino Jesus. Na minha concepção Cristo sempre e todo ano renascia naquele dia, justamente à meia noite, nascimento sempre anunciado pelo cantar do galo. Apesar do ajuntamento de gente, primos, tios, avós, toda a comilança, a muvuca que se formava, a movimentação incontida com a correria da molecada, eu entre eles, seguíamos um ritual mágico e o Natal sempre foi sagrado. Tudo era festa, fé e devoção, aos céus e aos nossos e nada era mais feliz. Recordo-me das partidas barulhentas de trucos, o bater das tampas de panelas inquietas que alimentavam aquela gente animada e cheia da fome, as cantorias acompanhadas das radiolas que maestravam as musicas caipiras, que eram dançadas pelos adultos e meninos. Apesar de não sermos ricos, tínhamos na época mesas fartas, alegrias incontidas e felicidades incalculáveis. Nós as crianças, os maiorzinhos, achávamos que sabíamos na época, de uma forma equivocada, que papel Noel não existia, mas mesmo assim aguardávamos pela chegada dele. Mas foi só depois de adulto, soubemos que estivemos muito enganados e que ele existe, que nos visita sempre em seu trenó e nos presenteia, principalmente as crianças, que nesse dia vive um acontecimento que lhes é mágico e os tira da rotina fria e adulta que se entregam com o passar do tempo. Hoje passeando pelo meu passado de ilusão, vejo o quanto tudo mudou, as pessoas que corriam comigo naquela época dos Natais passado, alguns se foram, estão no céu, a maioria que ficou, alguns não perdem tempo para se dedicar a esses encontros. Claro que não seremos mais as crianças que correm pelas salas e varandas apinhadas de gente, nem os meninos que esperam a chegada do bom velhinho, não temos mais casas cheias. Ciente da realidade que vivemos, sei que com o Natal, o papai Noel chegará trazendo o presente da vida, que nos será entregue como um novo tempo para repensarmos o que queremos dela e o que faremos para vencer nossos próprios pessimismos e a falta de fé. Hoje mais uma vez vou esperar o canto do Galo à meia anunciando o renascimento do Cristo Jesus, vou procurar no céu a estrela guia que conduzirá os Três Reis Magos até à manjedoura, onde repousa a família sagrada para sua caminhada em prol da vida. Não terei uma Folia de Reis partindo na madrugada para esmolar em prol da festa popular de Reis, evento onde meus tios, pais e amigos sempre protagonizaram um evento de fé e sonhos. Sei que meu Natal será ao lado de algumas poucas pessoas, se pautarmos pela presença física, porém concentrarei meu pensamento em cada uma das pessoas que amo, pedirei no geral para todos que precisam e me sentirei no céu, se for atendido. Vou pedir esse ano para que Deus nos faça justos, nos presenteie com a honestidade necessária que conduz o amor entre os seres, que se dizem humanos. Infelizmente o tempo tem afastado corações, tuto tem estado muito mecanizado, inclusive o amor. Esse ano faltarão pessoas no meu natal, são vivos que se ausentaram e preferem a distância, que preferem matar os não falecidos e visita-los quando no leito de morte, numa despedida para sempre. Eu não quero a eternidade ausente, mas um renascimento presente. Vamos fazer desse o recomeço, o nascer da vida em Deus!

Imagem meramente ilustrativa

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