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Junho Violeta: negligência com medicamentos e cuidados básicos está entre as formas mais silenciosas de violência contra idosos

Posted on 3 de junho de 2026

Para a geriatra Dra. Ludmila Carrara, proteger a pessoa idosa vai além do afeto e do respeito: passa também pelo acompanhamento médico, uso correto de medicamentos e atenção às necessidades diárias de saúde.

A violência contra a pessoa idosa nem sempre se manifesta por meio de agressões físicas. Em muitos casos, ela aparece de forma silenciosa, quando consultas médicas são adiadas, medicamentos deixam de ser administrados corretamente, exames não são realizados ou necessidades básicas de saúde passam a ser negligenciadas. O alerta ganha força em junho, mês de conscientização sobre a violência contra a população idosa.
Para a geriatra Ludmila Miguel Carrara Habib, da Clínica Haya Abdalla, uma das maiores dificuldades é justamente identificar situações que, à primeira vista, parecem apenas falta de atenção ou descuido.
“Muitas pessoas associam violência apenas à agressão física, mas, na geriatria, observamos frequentemente situações de negligência que comprometem seriamente a saúde do paciente. Estamos falando de idosos que deixam de tomar medicamentos corretamente, que perdem consultas importantes, que não recebem acompanhamento adequado para doenças crônicas ou que ficam sem os cuidados necessários para manter sua qualidade de vida. Tudo isso também é uma forma de violência”, explica.
Segundo a médica, o impacto pode ser devastador. Pacientes hipertensos, diabéticos ou com doenças cardíacas, por exemplo, podem apresentar agravamento rápido do quadro clínico quando não recebem acompanhamento adequado. O mesmo ocorre com idosos que dependem de auxílio para alimentação, higiene ou administração de medicamentos.
“Muitas internações poderiam ser evitadas com acompanhamento adequado. Quando um idoso deixa de receber os cuidados necessários, o risco de descompensação de doenças, quedas, desnutrição, infecções e até perda da autonomia aumenta significativamente”, afirma.
População idosa

O alerta é especialmente importante diante do envelhecimento da população brasileira. Atualmente, o Brasil possui mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo dados do IBGE. Paralelamente, os registros de violações de direitos contra idosos seguem crescendo em todo o país. Entre as ocorrências mais frequentes estão justamente casos de negligência, abandono e violência psicológica.
Na prática clínica, a negligência costuma se manifestar por meio de sinais que podem passar despercebidos pelas famílias. Perda de peso sem causa aparente, piora repentina de doenças crônicas, lesões de pele, falta de higiene, esquecimentos frequentes relacionados ao tratamento médico e isolamento social estão entre os principais indicativos de que algo não vai bem.
“O envelhecimento exige uma rede de cuidado. Nem sempre a família percebe que pequenos descuidos repetidos ao longo do tempo podem trazer consequências importantes para a saúde. Por isso, é fundamental observar mudanças de comportamento, alterações físicas e manter o acompanhamento médico regular”, destaca a geriatra.
Outro ponto de atenção envolve a automedicação e o uso incorreto de remédios. Segundo Ludmila Carrara, muitos idosos utilizam vários medicamentos simultaneamente e dependem do apoio de familiares ou cuidadores para seguir corretamente a prescrição.
“Quando a medicação é administrada de forma errada, interrompida sem orientação ou simplesmente esquecida, os riscos aumentam muito. O tratamento deixa de funcionar adequadamente e isso pode gerar complicações sérias, especialmente em pacientes mais frágeis”, alerta.
Criada para ampliar a conscientização sobre o tema, a campanha Junho Violeta reforça a importância de olhar para a pessoa idosa de forma integral, reconhecendo que cuidado, atenção e acesso à saúde também são formas de proteção.
“Envelhecer com dignidade passa pelo respeito, mas também pelo cuidado diário. Garantir acesso à saúde, acompanhamento médico, alimentação adequada, uso correto dos medicamentos e convivência familiar saudável é uma das formas mais importantes de proteger nossos idosos”, conclui a geriatra.

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