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88% das empresas já usam IA, mas apenas 6% conseguem gerar valor real com a tecnologia

Posted on 5 de junho de 2026
  • Especialista aponta erros que ainda limitam os resultados da inteligência artificial nas empresas.
  • Em operação do setor de telecomunicações, ferramenta ajuda a mais que dobrar as vendas.

A inteligência artificial deixou de ser uma aposta para se tornar prioridade estratégica. Segundo o CIO Playbook 2026, estudo da IDC e Lenovo, 97% das empresas pretendem ampliar seus investimentos em IA neste ano. Ainda assim, transformar tecnologia em resultado concreto continua sendo um desafio para a maioria das organizações.
O paradoxo aparece em levantamento da McKinsey, citado pela Winsome Marketing: embora 88% das empresas já utilizem inteligência artificial em alguma medida, apenas 6% conseguem extrair valor significativo dessas iniciativas.
Para Matheus Mundim, economista, mestre em Administração com foco em Marketing e Vendas, fundador e gerente PE&G da V4 Mundim & Co — uma das maiores operações da rede V4 Company —, a discussão deixou de ser sobre adotar ou não a tecnologia.
“Agora a questão é como utilizá-la da forma correta. Muitas empresas estão revendo investimentos porque a economia ou a receita esperada não aconteceu”, afirma o executivo que liderou mais de 500 projetos nos últimos seis anos.
Segundo ele, um dos erros mais comuns é acreditar que a IA resolverá problemas sozinha. “IA exige processo, contexto e operadores capacitados. Sem isso, pode virar apenas um custo adicional ou até gerar prejuízos”, enfatiza.
Ao mesmo tempo, empresas que integram a tecnologia à operação começam a registrar ganhos relevantes de produtividade. Mundim cita, por exemplo, o crescimento dos chamados High-Impact Individual Contributors (HICs), profissionais que, apoiados por IA, conseguem entregar resultados antes associados a equipes inteiras.
Onde o retorno aparece mais rápido
Na avaliação do especialista, o primeiro atendimento ao cliente é hoje a aplicação com maior potencial de retorno. “Ela responde instantaneamente, qualifica o contato e encaminha o interessado para o comercial com informações suficientes para avançar na negociação”, explica.
Segundo levantamento publicado pela NextPhone com base em estudos do setor de atendimento digital, 65% das consultas de suporte ao cliente já foram resolvidas sem intervenção humana em 2025. Para Mundim, isso ajuda a explicar por que muitas empresas estão começando a capturar ganhos mais rápidos justamente nessa etapa da jornada do consumidor.
Quando a tecnologia dobra as vendas
A experiência da TConnect, empresa do setor de telecomunicações, ilustra esse movimento.
A companhia enfrentava dois desafios principais: oferecer atendimento fora do horário comercial e qualificar melhor os leads recebidos. Para resolver o problema, passou a utilizar o Sistema de Solução no Primeiro Contato, da V4 Company, capaz de atender clientes 24 horas por dia, coletar informações e encaminhar contatos mais preparados para a equipe comercial.
“A venda praticamente chega pronta. Hoje temos um vendedor online 24 horas por dia”, relata André Girardini, gerente da empresa.
Segundo ele, a inteligência artificial elevou a qualidade dos leads e deu mais velocidade ao processo comercial. Com isso, a taxa de conversão, que antes ficava abaixo de 20%, passou a superar 40%.
“Com o mesmo investimento, estamos fazendo mais que o dobro de vendas. O lead chega muito mais qualificado e isso trouxe velocidade para o time comercial”, afirma.
Fator humano continua decisivo
Embora a automação avance rapidamente, a necessidade de intervenção humana permanece. Dados do setor mostram que 85% dos consumidores afirmam que seus problemas eventualmente exigem a participação de uma pessoa.
Para Mundim, o dado reforça que a inteligência artificial não substitui estratégia, relacionamento e tomada de decisão. “A ferramenta potencializa resultados, mas o ser humano continua responsável por definir direção, construir confiança e validar decisões”, conclui.

Michele Borges

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