Paulo Bittencourt vai enfrentar 10 km de natação, 30 horas de bicicleta e 60 km de corrida entre os dias 23 e 27 de setembro, em projeto que também terá palestra, incentivo ao esporte e arrecadação de alimentos.
Aos 5 anos, Paulo Bittencourt começou a praticar esporte no Sesi Roosevelt, em Uberlândia. Passou pela natação, pelo karatê e, mais tarde, pelo futebol, modalidade que marcou sua juventude e chegou a levá-lo ao elenco profissional do Uberlândia Esporte Clube. A trajetória, no entanto, mudou depois de uma lesão no joelho, que o afastou dos campos e abriu espaço para um período de depressão.
Anos depois, já cursando Educação Física e trabalhando em academias, Paulo encontrou no triatlo uma nova possibilidade de relação com o esporte. O que começou com uma mountain bike, treinos sem estrutura e natação em piscina pequena se transformou em rotina de preparação para provas de longa distância.
Agora, o atleta Ultramen se prepara para um desafio próprio de resistência, que será realizado entre os dias 23 e 27 de setembro. A programação inclui 10 km de natação, 30 horas de ciclismo e 60 km de corrida. A proposta nasceu como parte da preparação de Paulo para uma prova de quíntuplo contínuo, prevista para 2027, mas ganhou outro significado ao longo do processo. “No começo, era uma forma de treinar para a prova. Depois, o desafio tomou uma proporção diferente. Hoje, vejo como uma oportunidade de incentivar pessoas, movimentar a comunidade e também ajudar quem precisa, com arrecadação de alimentos”, afirma Paulo.
A programação começa no dia 23 de setembro, com uma palestra na Casa Parque Sul com o triatleta Gabriel Ferrari. Conhecido em Uberlândia por participar de provas ao lado do filho, que tem paralisia, Gabriel leva para o esporte uma história de presença, adaptação e vínculo familiar. Nas competições, ele nada, pedala e corre com o filho, adaptando cada etapa para que ambos participem juntos.
A presença de Gabriel abre a agenda do desafio com uma mensagem que se conecta à proposta de Paulo: mostrar que o esporte pode ser um caminho de transformação, convivência e incentivo para pessoas em diferentes realidades.
A preparação de Paulo envolve treinos nas três modalidades, apoio familiar, acompanhamento na natação e cuidados com fisioterapia. Para o atleta, o ponto mais exigente não está apenas na parte física, mas na capacidade de manter constância em uma rotina de esforço prolongado. “O mais difícil é o mental. A mente te leva onde você quer, mas também tenta te levar para o conforto. Nas provas longas, você fica sozinho com você mesmo, pensando em tudo. É ali que aparece a voz sabotadora”, explica.
A relação de Paulo com o esporte também passa por uma história de acesso. Antes de disputar suas primeiras provas, ele recebeu ajuda de alunos e pessoas próximas, que contribuíram com inscrição, roupas, óculos, capacete, relógio e outros equipamentos. Em 2018, fez sua primeira competição em Belo Horizonte. Em 2023, disputou uma prova em Maceió, em sua primeira viagem de avião e também a primeira vez em que conheceu a praia.
Durante essa prova, sofreu uma lesão logo na largada, pensou em desistir na natação, mas decidiu continuar. Depois, enfrentou a bike e a corrida, até cruzar a linha de chegada. “Eu pensava em toda ajuda que tinha recebido e em tudo que tinha feito para estar ali. Fui uma coisa de cada vez. Quando terminei, nasceu um novo Paulo. Na verdade, voltou um Paulo que existia antes”, lembra.
O projeto atual conta com apoio de empresas locais, entre elas a Maxi. A incorporadora participa da iniciativa como apoiadora de uma história que reúne esporte, qualidade de vida, superação e transformação pessoal.
Para Paula Almeida, Head de marketing da Maxi, o apoio ao projeto está ligado à história de Paulo e ao impacto que o esporte pode gerar na vida das pessoas. “A história do Paulo é inspiradora porque mostra transformação, disciplina e movimento. A Maxi não olhou para esse projeto apenas como patrocínio, mas como uma oportunidade de apoiar uma iniciativa que incentiva pessoas a saírem da zona de conforto e a buscarem qualidade de vida”, afirma Paula.
Paulo reconhece que o apoio foi decisivo para tirar a ideia do papel. “Se não fosse a Maxi, esse desafio não sairia. Deus coloca as pessoas certas nos momentos certos da vida. A Maxi foi além de uma ajuda. Ela acreditou no projeto”, diz.
Além da performance, o atleta espera que o desafio seja visto como um convite para pessoas comuns começarem a se movimentar, dentro de suas próprias possibilidades. Para ele, o esporte não precisa ser encarado apenas como competição, mas como ferramenta de mudança de rotina. “Eu quero que as pessoas pensem: se ele conseguiu, eu também posso. Não estou focado em dinheiro. Quero que as pessoas participem, se movimentem e sintam o ambiente do esporte. Quem entra numa experiência assim sai diferente”, afirma.
Quando pensa na linha de chegada, Paulo resume a imagem em três palavras: emoção, superação e confirmação de uma característica que acompanha sua história desde a juventude. “Determinação e força física sempre foram meus diferenciais. Na linha de chegada, acho que vai vir a certeza de que tudo isso fez sentido”, finaliza.
