O relógio ainda não havia “dado as 12 badaladas do meio” e os telefones do Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) já estavam “roxos” de tantas ligações. Os policiais atendendo aos chamados cotidianos, mas um deles bem inusitado. O caso foi na rua 04, no local existe uma invasão com diversas moradias improvisadas, conhecido como Maná em Uberlândia-MG, teria ocorrido um sequestro e cárcere privado de seis homens com idades entre 20 e 23 anos. Diante da denúncia, a equipe da Patrulha de Prevenção ao Homicídio (PPH) foi acionada de imediato para apurar com mais detalhes o que poderia ter acontecido. De acordo com a denúncia, alguns indivíduos, envolvidos com uma facção criminosa que atua na cidade, foram designados para sequestrar estes jovens e haveria dentro da própria “comunidade” um ritual de “julgamento” destas pessoas. De posse das informações, as equipes foram à campo apurar a veracidade dos fatos. Assim que as guarnições se aproximaram do suposto local, várias pessoas tentaram fugir, alguns até pareciam “cangurus” pulando muros tentando se desvencilhar dos militares. Um destes indivíduos estava armado e chegou a apontar o “berro” em direção dos policiais que, de imediato se posicionaram para o confronto, caso necessário. O “valente” estava de camiseta cinza claro e calça jeans e conseguiu “dar no pé”. Em seguida, a PM manteve contato com uma das vítimas do cárcere privado. Ela confirmou toda a história do “tal julgamento” e que o fugitivo realmente estava armado com um revólver. Diante dos acontecimentos, os militares realizaram um trabalho mais detalhado. Ao todo, revistaram e abordaram 16 pessoas, homens que rapidamente dispensaram aparelhos celulares, alguns chegaram a cair foram danificados. Uma das preocupações dos abordados era para que a PM não conseguisse acessar os conteúdos existentes nos referidos aparelhos telefônicos, mas as equipes preservaram com todo o cuidado muitos telefones, fazendo a apreensão dos mesmos para posteriores investigações. Durante conversas com o “monte dos 16” vários assuntos foram “ventilados, algumas ameaças contra vidas de pessoas, juramentos de castigos”, entre outros. Interessante foi o que outro rapaz disse à PM: segundo ele, estava nas ruas do bairro Marta Helena, usando drogas, quando foi abordado por duas pessoas (homens) que estavam em um veículo, mas não soube identificar marca, nem cor, mas afirmou que o pegaram e o levaram para uma casa, exatamente, o local indicado na denúncia, na rua quatro do assentamento Maná. Ele também narrou que a todo o momento, os indivíduos que se encontravam no local dos fatos, dentre eles, os abordados e os conduzidos pela PM nesta ocorrência, o indagavam sobre o desaparecimento de um cidadão que mora na região do bairro Marta Helena. O jovem alegou que este desaparecimento não ficaria “barato” e que os responsáveis seriam punidos de acordo com as regras do crime. “Ninguém sai daqui até os fatos serem esclarecidos”, teria dito um dos supostos “chefes”. Um terceiro envolvido relatou que na data do dia 04/04/2022, ele também foi abordado por pessoas em um Honda Civic de cor preta, quando estava na rua São Paulo, também no Marta Helena e teve o mesmo destino e cobrança quanto o sumiço de um “parça”. Esta pessoa tão estimada pelo grupo está desaparecida desde o dia 02, sábado, mas ninguém fez qualquer registro de desaparecimento junto aos órgãos de Segurança Pública. Todos os supostos envolvidos foram unânimes em afirmar que ninguém seria liberado enquanto não houvesse o esclarecimento dos fatos, pois esta era a lei do crime. Diante do exposto, foi dada voz de prisão a nove autores do sexo masculino, com idade entre 19 a 30 anos e de uma autora, de 23 anos, pelo cometimento do crime de sequestro e cárcere privado, dano e violação de domicílio. Todos os autores foram encaminhados à delegacia. A PM orienta que em quaisquer circunstâncias em que alguém desapareça é importante e necessária a confecção do Boletim de Ocorrências (BO), com todos os dados para possíveis esclarecimentos dos fatos e também adverte: inventar ou mentir em um BO configura crime de Denúncia Falsa de Crime.
Fonte/crédito imagem: Polícia Militar/MG