Região

Dengue e acidentes com animais peçonhentos são 80% das notificações compulsórias em Ituiutaba

Pesquisador da UFU também mapeou áreas de risco no principal bairro do município

Mato alto, entulho e lixo foram verificados em lotes vagos no Centro de Ituiutaba (foto: Carlos Eduardo Silva)

A dengue, com 15.741 casos, e os acidentes com animais peçonhentos (AAP), com 5.839 ocorrências, corresponderam a 80% dos registros de agravos à saúde de notificação compulsória no município mineiro de Ituiutaba, no período de 2009 a 2018.

Ampliando o espaço geográfico para a mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, a cidade figurou, entre 2010 e 2017, em primeiro lugar em números de AAP, em todos os anos desse período. Em relação à dengue, o município só ficou atrás de Uberlândia e Uberaba em número de casos notificados.

Essas foram algumas informações levantadas pelo geógrafo Carlos Eduardo Silva durante suas pesquisas no curso de mestrado do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), concluído em novembro deste ano no Campus Pontal.

Com esses dados sobre a dengue e AAP fornecidos pela Secretaria Municipal de Saúde de Ituiutaba e pelo Ministério da Saúde, por meio da base de dados Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde, o DataSUS, Silva mapeou os pontos de risco que contribuem para a proliferação do mosquito aedes aegypti e de animais peçonhentos.

O Centro da cidade foi o bairro escolhido para o mapeamento por concentrar o maior número dos agravos (danos à integridade física, mental e social dos indivíduos, provocados por doenças ou circunstâncias nocivas, como acidentes, intoxicações, abuso de drogas e lesões auto ou heteroinfligidas).

O trabalho foi realizado com registros fotográficos, a partir de trabalho de campo, e por meio de geotecnologias. Para a criação do mapa, foram utilizados os programas Google My Maps e Google Maps, ambos disponíveis gratuitamente na internet.

Foram registrados, principalmente, lotes vagos, geralmente com presença de entulhos e lixo. Tanto esses materiais orgânicos quanto inorgânicos facilitam o refúgio e a dispersão de espécies animais relacionadas aos agravos. É o caso de ratos e baratas, alimentos de cobras e escorpiões, por exemplo.

Em relação aos benefícios da pesquisa para a comunidade, o pesquisador defende que, com o reconhecimento dos pontos mais críticos, é possível que o poder público trace ações específicas e mais eficientes para sua mitigação.

“Além do conhecimento do ambiente em que esta população está inserida, pois, a partir do momento que ela sabe os problemas que tem ao seu redor, ela passa a prestar mais atenção neles e a buscar suas soluções”, explica Silva.

Fonte: UFU

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