Investigação aponta 2.435 vítimas e revela que criminosos usavam páginas falsas para desviar pagamentos feitos por Pix.
Na manhã desta quinta-feira (3), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou a Operação Contramão para combater uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes durante o pagamento do IPVA. Segundo a investigação, o grupo criava páginas falsas que imitavam o portal oficial do Governo de Minas e induzia contribuintes a transferirem o valor do imposto por Pix para contas controladas pelos envolvidos.
De acordo com o MPMG, pelo menos 2.435 contribuintes foram vítimas do esquema, que provocou um prejuízo de R$ 1.746.312,44. As investigações indicam que a fraude pode estar em funcionamento desde 2024, sendo retomada nos períodos de vencimento das parcelas do imposto.
Para atrair as vítimas, os suspeitos reproduziam a aparência e o sistema de pagamento do portal oficial. Os endereços utilizados também continham termos associados a órgãos públicos, como “gov”, “detran” e “minasgerais”, o que poderia dificultar a identificação do golpe.
Ao chegar à etapa de pagamento, o contribuinte recebia um QR Code e fazia a transferência por Pix. O dinheiro, porém, era encaminhado para empresas de fachada, criadas com nomes que aparentavam estar relacionados à cobrança de taxas e serviços públicos.
Segundo a apuração, os valores recebidos eram posteriormente distribuídos entre contas pessoais em Goiás, Maranhão, São Paulo e na região do Distrito Federal. Algumas das empresas utilizadas no esquema foram abertas pouco antes dos vencimentos das parcelas e permaneceram ativas por menos de cinco meses.
Ao todo, a Justiça autorizou 14 prisões preventivas e dez mandados de busca em endereços ligados aos investigados. As medidas foram cumpridas em Aparecida de Goiânia, Valparaíso de Goiás e Luziânia, em Goiás; Imperatriz e São Luís, no Maranhão; além de São Paulo e Ribeirão Preto, em São Paulo.
Durante a operação, dez suspeitos foram presos. As equipes também recolheram celulares, notebooks, pendrives e cartões bancários. Entre os materiais encontrados estavam ainda 11 papelotes de cocaína e uma réplica de arma de fogo.
A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber), com participação da 11ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte, responsável por investigações relacionadas ao crime organizado. A ação também teve apoio de órgãos de segurança e unidades especializadas dos Ministérios Públicos e das polícias de Goiás, São Paulo e Maranhão.
O material recolhido será analisado para aprofundar a investigação e identificar a participação de outros envolvidos. As buscas por suspeitos que ainda não foram encontrados continuam. O caso tramita sob sigilo.
Como evitar golpes no pagamento do IPVA
O MPMG orienta que o imposto seja pago somente pelos canais oficiais da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) ou pela rede bancária autorizada.
Também é importante evitar páginas acessadas por links recebidos em mensagens, redes sociais ou anúncios patrocinados em mecanismos de busca. Antes de confirmar uma transferência por Pix, o contribuinte deve conferir atentamente o nome do destinatário.
Pagamentos direcionados a empresas privadas com nomes relacionados a “gestão”, “assessoria” ou “taxas” podem indicar uma tentativa de fraude.
Quem tiver realizado um pagamento indevido deve registrar um boletim de ocorrência e entrar imediatamente em contato com o banco para tentar bloquear os valores. A recomendação também é comunicar o caso à SEF/MG pelos canais oficiais de atendimento.
Informações: Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Crédito das imagens: MPMG/divulgação.
