“Seja forte e corajoso”. A pulseira colorida que Adrielson distribui após os jogos leva mais do que apenas uma frase. Carrega um lema, uma história de resiliência e um sonho de ter em casa uma medalha olímpica.
Adrielson conheceu o vôlei por intermédio de suas irmãs. Filho mais novo, acompanhava as mais velhas em treinos na quadra e na areia enquanto os pais trabalhavam. Até que aos 16 anos, entrou nas linhas e começou a jogar. “O vôlei de praia era mais divertido que a quadra. Por causa da areia, de brincar, de pular. Acho que, a princípio, foi isso que me conquistou”, relembra o atleta.
A diversão seguiu mesmo quando começou a competir. Aos 18 anos, Adrielson recebeu um convite para jogar por Maringá. A oferta também vinha com uma bolsa de estudos universitário, sendo Arquitetura e Urbanismo o curso escolhido.
Depois de três anos, houve uma mudança de chave: a escolha do vôlei de praia como profissão. “A base toda, para mim, foi diversão. No sub-21 já começou a ficar mais sério. Dali, eu comecei a pensar no futuro, pensar como ia ser. Ali eu vi que eu queria isso mesmo para vida, para ser profissional, para ganhar a vida com isso”, conta.
Nesse momento, o sonho se tornou um peso. Crises de pânico e de ansiedade tomaram conta da mente que sempre esteve focada em vencer. As dúvidas sobre o futuro atingiram o jovem, a ponto de ser considerado o pior momento da carreira.
Para Adrielson, quando ele começou, era visto como “improvável”: “Eu nunca fui cara do potencial, eu tinha que ir lá ganhar”. O atleta, além de ser nascido no interior do Paraná, sempre foi considerado baixo para um jogador de vôlei. Enquanto uma das exigências era que os atletas tivessem 1,90m de altura, Adrielson tem 1,80m.
A altura foi compensada com dedicação. Adrielson desenvolveu a capacidade de resolver os problemas em quadra exigindo de si mesmo dar o seu melhor em quadra. Outra característica são os saltos, que lhe deram o apelido de The Jumper.
O início da dupla
Enquanto Adrielson já se estabelecia como um dos grandes nomes do Vôlei de Praia, Arthur Mariano começava na modalidade. Apesar de terem a mesma idade, Arthur começou nas quadras e passou para a areia apenas em 2017, quando chegou a Maringá. Logo que se conheceram, a amizade foi tão grande que Adrielson escolheu ficar no Ginásio junto com ele durante os testes de Arthur.
Na época, cada um fazia parte de uma dupla. Porém, Adrielson sempre convidava Arthur para treinarem juntos. Até que, em 2019, houve a oportunidade de competirem como a dupla Arthur e Adrielson pela primeira vez no Superpraia.
“Todo mundo me criticou porque eu ia jogar com ele. Ele só tinha jogado algumas competições, já era o Circuito Brasileiro Adulto. Aí todo mundo ficou assim: ‘Não, joga com tal pessoa’. Tinha um monte de gente que estava sem parceiro, que tinha ponto, que era mais velha, com mais experiência, eu podia ter jogado com outros. Só que eu era tão amigo dele que eu quis chamar ele para jogar”, relembra.
Arthur e Adrielson em sua primeira competição como dupla. Foto: CBV
A proposta era simples: se sentir bem em quadra, com quem fazia dupla com ele. E logo na primeira competição, a dupla foi vice-campeã. A dupla jogou junto na temporada 2019/2020, quando foi bronze no Circuito Brasileiro. Porém, na temporada seguinte, Arthur foi para o Rio de Janeiro. “Nessa fase a gente ficou brigado também, a gente não se falou mais”, comenta Adrielson.
Logo no final de 2021, Arthur pediu desculpas e a dupla voltou. Porém, a sintonia só veio quando voltaram a ser amigos. Assim, a dupla iniciou o ano de 2022 com a medalha de ouro na 2ª etapa do Circuito Sul-Americano 2021/2022. Em 2023, venceram seu primeiro Circuito Brasileiro.
A chegada ao Praia Clube
O convite para integrar o vôlei de praia no Praia Clube, chegou em uma quinta-feira qualquer de 2023. “Quando o André Lélis me ligou, eu até achei que era brincadeira, achei que era zoeira. Eu conhecia o clube por causa do vôlei feminino, que o Brasil inteiro conhece, e eu só conhecia por isso também, por saber que o Praia Clube investiu no vôlei feminino. Não sabia que tinha outras coisas, que ele era enorme assim, que tinha sócios”.
Da ligação, surgiu o convite para Arthur e Adrielson fazerem parte do projeto inovador de ter a modalidade em um clube. A dupla havia conquistado seu primeiro campeonato brasileiro naquele ano e viram uma oportunidade de focar apenas no esporte. “O Praia Clube foi o primeiro que começou com isso. E a gente foi o primeiro então, também, a ter clube, a ter um salário, a ter uma estrutura”, destacou.
Vale destacar que, no vôlei de praia, as duplas costumam ser as responsáveis por pagar a comissão técnica, contratar fisioterapeuta e nutricionista, além de se preocupar com buscar um local adequado para treinar, o material, e fazer a gestão financeira para cada etapa. “A entrada do clube te torna profissional realmente. E aí você precisa se preocupar só em em jogar, só em vencer”.
E foi isso que a dupla fez. Arthur e Adrielson foram campeões do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia em 2024 e 2025. Quando perguntado se em 2026 a dupla será tetra campeã, Adrielson afirmou: “Se Deus quiser. Com certeza!”.
O futuro
Dois anos depois de chegarem ao Praia Clube, o plano é estar em Los Angeles 2028. Adrielson destaca que a rotina de treinos e a confiança na equipe e no trabalho é um dos passos para estarem entre as duas melhores duplas do Brasil no Circuito Mundial e, consequentemente, irem para a Olimpíada. “O maior desejo é ser campeão, mas não só por ser campeão, mas sim por causa do peso que isso traz. Eu quero usar esse peso para motivar e inspirar a nova geração”, finaliza.
Naiara Ashaia – Assessora de Comunicação
Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução .