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Dia Nacional do Surdo: profissionais falam sobre intérpretes na educação 

Posted on 26 de setembro de 2018

No dia 26 de setembro de 1857 foi inaugurado, na cidade do Rio de Janeiro, o INES – Instituto Nacional de Educação de Surdo, a partir de então, a data marcaria o Dia Nacional do Surdo. Porém, somente em 2002, por meio da Lei 10.436, é que foi oficializada a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e, também, foi instituída a presença de um tradutor ou intérprete de línguas em diversos espaços. E hoje, dezesseis anos depois, mesmo com a legislação, ainda existem vários  deficit no cumprimento do que foi estabelecido, como a falta de intérpretes de LIBRAS nas salas de aula ou, até mesmo, no ensino regular nas séries iniciais.

É o que defende Cristiano Silva Ribeiro, mestrando do Programa de Pós-graduação em Educação Básica da Uniube Uberlândia e professor de Libras da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Ele  conta que o principal motivo para escolher a área da educação foi, justamente,  as dificuldades que sofreu na infância. Por ser surdo, acabou tendo que desenvolver habilidades, como leitura labial, para acompanhar as aulas. “Quando entrei na escola não tinha intérprete, foi aí que aprendi a ler lábios, mas é muito complicado,  não dá para diferenciar P e B, pato e prato, por exemplo, então eu basicamente copiava tudo do quadro, mas não acompanha a aula oral”, afirma.

A Uniube é, atualmente, a única universidade privada de Uberlândia que conta com intérprete no mestrado. Além disso, o mestrado profissional na cidade é voltado para pesquisa na educação básica. Por esses dois  motivos, Cristiano escolheu a universidade, pois seu produto tem como foco o ensino de LIBRAS nas séries iniciais. “Eu sou formado em Letras-Libras, trabalho com pedagogia na Universidade, então a educação básica é um tema que combina mais com a minha prática profissional”.

“Minha proposta é fazer um produto a partir da minha experiência, que possa ajudar na inserção do ensino de LIBRAS mais ativamente nas escolas. Meu sonho é uma sala de aula completamente fluente em libras, para que as pessoas possam se comunicar naturalmente”, finaliza Cristiano.

Da intérprete

Alessandra da Silva, que é advogada e intérprete há 30 anos, já trabalhou em escolas, mas seu primeiro aluno universitário foi, também, o primeiro aluno surdo de Uberlândia a ingressar no Ensino Superior. “Ele era aluno de Educação Física, tinha uma disciplina comigo, a qual eu interpretava, com isso o reitor me pediu para acompanhá-lo em outras aulas e desde então essa tem sido minha jornada”, conta Alessandra.

“O trabalho de intérprete mudou minha vida, eu sinto uma grande responsabilidade com os surdos, aqui na Uniube foi a primeira vez que o mestrado teve um aluno surdo e daí eles me chamaram e eu sinto como se fosse uma responsabilidade, mesmo trabalhando em outros lugares, eu sinto que preciso estar aqui e gosto de estar aqui”, finaliza Alessandra.

Sobre a Língua Brasileira de Sinais

De acordo com o portal  Educa Brasil, a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS é reconhecida como uma língua de modalidade gestual-visual, que pode ser apreendida naturalmente pelas pessoas surdas, ou seja, pessoas que “ouvem” pelo canal visual. É de uso corrente apenas no Brasil, pois, como as línguas de sinais não são universais, cada país possui sua própria língua.

A Língua Brasileira de Sinais surgiu a partir do Instituto dos Surdos-Mudos, fundado em 1857 como primeira escola para surdos no Brasil – atualmente denominado Instituto Nacional da Educação de Surdos (INES). Ela é o resultado da mistura da língua de sinais francesa com a língua de sinais brasileira antiga, já usada pelos surdos das várias regiões do Brasil.

No Brasil, a Lei 4875/98, que oficializa a LIBRAS em todo o território nacional, ainda se encontra no Congresso Nacional aguardando aprovação. Enquanto isso, alguns estados e municípios brasileiros aprovaram leis para a oficialização da LIBRAS em suas cidades.

Atualmente, existem vários dicionários de LIBRAS, entre eles, um que contém cerca de 3.000 sinais,  usado nas diversas regiões do país e elaborado pelo Laboratório de  Neuropsicologia e Linguística da Universidade de São Paulo.

Prelo Comunicação

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