Skip to content
Alô Uberlândia
Menu
  • Início
  • Quem Somos
    • Termos de Uso
    • Política de Privacidade
  • Fale Conosco
Menu

MPF denuncia ex-legistas do IML por farsa em laudo necroscópico de dois opositores da ditadura mortos em 1973

Posted on 31 de agosto de 2023

Harry Shibata e Antonio Valentini omitiram sinais de tortura em documentos sobre a morte de Sônia Angel Jones e Antônio Carlos Lana

#Paratodosverem: Imagem mostra foto histórica na qual soldados estão reunidos em frente a um muro com a pichação “ditadura assassina”

Foto: Arquivo Nacional/Correio da Manhã

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou nova denúncia contra dois médicos legistas por emitirem documentos falsos sobre a morte dos militantes políticos Sônia Maria de Moraes Angel Jones e Antônio Carlos Bicalho Lana, em 1973. Harry Shibata e Antonio Valentini atuavam no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo e foram os responsáveis pela elaboração dos laudos necroscópicos que omitiram a prática de tortura contra as vítimas. Shibata também é acusado de contribuir para a ocultação do cadáver de Sônia, ao registrar informações que dificultaram à família a localização do corpo da militante.

Sônia havia decidido voltar do exílio na França após receber a notícia da morte de seu marido, o estudante Stuart Edgar Angel Jones, vítima da repressão em 1971. Disposta a se reintegrar na luta de resistência contra o regime militar, ela conseguiu retornar clandestinamente ao Brasil, em maio de 1973, e passou a atuar na Aliança Libertadora Nacional (ALN), um dos mais destacados grupos de oposição à ditadura. Foi quando conheceu Lana, que integrava a cúpula da organização e era alvo dos militares havia anos devido à sua atividade política.

Em novembro de 1973, Sônia e Antônio se mudaram para um apartamento em São Vicente, no litoral paulista, local que membros do Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) logo identificaram e passaram a monitorar. Eles foram capturados em uma manhã daquele mês, pouco antes de iniciarem viagem de ônibus para São Paulo. Há diferentes versões sobre o paradeiro deles depois desse episódio. Em comum, elas apontam para a morte das vítimas após violentas sessões de tortura conduzidas por agentes da repressão.

A hipótese mais provável é que Sônia e Antônio tenham sido mantidos em um centro clandestino na zona sul da capital paulista, conhecido como Fazenda 31 de Março, onde sofreram agressões por vários dias e foram executados a tiros. Os corpos teriam sido levados ao DOI-Codi e expostos para servir de exemplo. Depois, foram encaminhados ao IML, com requisição de exame necroscópico marcada com a letra “T”, referente a “terrorista”, como os agentes se referiam a opositores do regime. A insígnia indicava aos peritos do instituto as precauções que deveriam tomar, especialmente a omissão de dados que apontassem a prática de tortura.

Foi o que Shibata e Valentini fizeram. Nos laudos sobre os corpos, os médicos negaram evidências de agressões e limitaram-se a informar que os óbitos haviam sido causados por perfurações de projéteis. O relato técnico convergia para a versão oficial de que os militantes haviam morrido em decorrência de troca de tiros com os agentes da repressão. A narrativa baseava-se em uma encenação que os próprios membros do DOI-Codi realizaram na região de Santo Amaro, na zona sul, quando Sônia e Antônio já estavam mortos. A farsa envolveu simulação de perseguição e tiroteio, uso de balas de festim e policiais passando-se pelas vítimas, como personagens.

Os militantes foram enterrados como indigentes no cemitério Dom Bosco, em Perus, zona norte de São Paulo. No atestado de óbito de Sônia, Shibata identificou-a apenas com o codinome que a militante utilizava nas atividades da ALN, Esmeralda Siqueira Aguiar, embora soubesse a verdadeira identidade da vítima. A informação inviabilizou que familiares pudessem localizar o corpo. A ossada só foi encontrada em 1991, assim como os restos mortais de Antônio. Relatórios necroscópicos pós-exumação e a análise de fotos registradas logo após a morte comprovaram as omissões nos laudos de Shibata e Valentini.

A colaboração do IML com os órgãos de repressão foi intensa e frequente durante a ditadura. Shibata já foi alvo de outras oito denúncias do MPF por forjar laudos cadavéricos de militantes políticos, entre eles, o do jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975 nas dependências do DOI-Codi. Contra Valentini, esta é a terceira denúncia do Ministério Público por práticas desse tipo.

“Os delitos foram cometidos em contexto de ataque sistemático e generalizado à população, em razão da ditadura militar brasileira, com pleno conhecimento desse ataque, o que os qualifica como crimes contra a humanidade – e, portanto, imprescritíveis e impassíveis de anistia”, destacou o procurador da República Andrey Borges de Mendonça, autor da denúncia do MPF.

Caso a Justiça Federal aceite a denúncia, Shibata e Valentini responderão por falsidade ideológica. A Shibata também é atribuído o crime de ocultação de cadáver. O MPF apresentou a acusação somente contra os dois médicos porque os demais envolvidos na morte de Sônia e Antônio já faleceram.

A denúncia tramita na 6ª Vara Federal de São Paulo. O número processual é 5007534-63.2023.4.03.6181

Fonte: Ministério Público Federal

Compartilhe isso:

  • Clique para compartilhar no WhatsApp(abre em nova janela) WhatsApp
  • Clique para compartilhar no Facebook(abre em nova janela) Facebook
  • Clique para compartilhar no Threads(abre em nova janela) Threads
  • Clique para compartilhar no Telegram(abre em nova janela) Telegram
  • Clique para compartilhar no LinkedIn(abre em nova janela) LinkedIn
  • Clique para enviar um link por e-mail para um amigo(abre em nova janela) E-mail
  • Mais
  • Clique para compartilhar no X(abre em nova janela) 18+
  • Clique para compartilhar no Reddit(abre em nova janela) Reddit
  • Clique para compartilhar no Tumblr(abre em nova janela) Tumblr
  • Clique para compartilhar no Pinterest(abre em nova janela) Pinterest
  • Clique para compartilhar no Pocket(abre em nova janela) Pocket
  • Clique para compartilhar no Mastodon(abre em nova janela) Mastodon
  • Clique para compartilhar no Nextdoor(abre em nova janela) Nextdoor
  • Clique para compartilhar no Bluesky(abre em nova janela) Bluesky

Últimos Posts

  • Jovem de 25 anos é morto a tiros dentro de residência no bairro Luizote de Freitas, em Uberlândia
  • Governo de Minas alerta para semana de instabilidade e volumes elevados de chuva em todo o estado até 24/1
  • Operação Rota Envenenada resulta na prisão de dois suspeitos por furto de carga em Uberlândia
  • Incêndio destrói garagem de residência, atinge veículos e deixa morador ferido no bairro Martins, em Uberlândia
  • Guindaste tomba em área residencial do bairro Laranjeiras e atinge quatro casas em Uberlândia

Facebook

Categorias

  • Agenda Cultural
  • Artigos
  • Brasil
  • Direitos: Pessoas com Deficiências e outros
  • Entretenimento
  • Esportes
  • Minas Gerais
  • Região
  • Segurança pública
  • Serviços
  • Uberlândia
  • Vagas de emprego

Páginas

  • Fale Conosco
  • Política de Privacidade
  • Quem Somos
  • Termos de Uso
©2026 Alô Uberlândia | Design: Newspaperly WordPress Theme