Ah, o amor, aquele que revira a gente, cura, deixa doente, carente, que apazigua e provoca mudanças. A vida e as andanças, as alternaças, as danças, a felicidade. Assim deve ser, transformar ou permanecer, estar perene, intermitente, o importante é existir, insistir, persistir. Sou caminheiro de mim mesmo, tenho encontrado caminhos que ainda não percorri, não sabia que existia essas passagens. Tenho descoberto que não existe um tempo para deixar de se ou me surpreender, motivos para desânimos, ânimos, pensar se paro, ou se empunho armas e continuo na minha luta, na labuta. Tenho rogado a Deus, o que não sei é se tenho mais pedido do que tentado, transferido a responsabilidade para o Todo Poderoso. Geralmente somos assim, por fim, frágeis diante de nossos desesperos. Acredito que uma bela noite de amor, aquele de provocar loucuras, sempre faz bem todos os dias, ou vez em quando, aproxima mais as pessoas, torna mais íntimo. O importante é sair do trivial, o compromisso com o dever de ser ousado, satisfazer vontades, não por obrigação, piedade ou necessidade, mas coisa de tesão. Estive sonhando em dar uma volta no meu passado, não vou fazer, isso não existe, mas posso refletir, de repente encontrar alguém de lá, conversar, falar dos tempos bons que não vão voltar, gosto de recordar. Comentar aquele lance da inocência, da indecência, a falta de consciência e da irresponsabilidade. Claro que tudo isso muito consciente, aliás me fiz gente, graças ao que fui nos antes da minha vida. Eu queria voltar a ouvir um amor me chamar, correr pelas ruas, dormir pensando em alguém, fugir das redes sociais, onde de repente deixamos uma conversa em pausa para falar com outros quase cem que estão chamando e a gente teclando, sem atentar para um carinho que poderia a vida mudar. Gostaria de sentar num canto, ouvindo uma música bem romântica, que falasse de amou ou de um lugar, ali poderia conversar, deixar o tempo ir passando, de repente cochichando, apaixonando e esperando de novo outro dia pra reencontrar. Na verdade acho que eu quero mesmo é sonhar. Será que sonhos existem, ou é coisa de poesia, na magia da rima, da obra prima, dos contos de fadas ou da carochinha? Eu acredito só não sei se consigo, mas também não perco nada se tentar.
TEXTO: José Airton de Oliveira