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UFU PREPARA PESQUISA INÉDITA SOBRE SAÚDE DE PESSOAS TRANS

Posted on 19 de dezembro de 2018

Estudo é desenvolvido pela Odontologia em parceria com ambulatório Craist

Diélen Borges

Será traçado perfil epidemiológico geral e de saúde bucal de mais de 400

pacientes (Foto: Marco Cavalcanti)

A Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é referência nacional no

atendimento a pacientes transgêneros e isso atraiu o cientista Sérgio

Ferreira Júnior a desenvolver aqui sua pesquisa de pós-doutorado, que vai

traçar o perfil epidemiológico geral e de saúde bucal desses pacientes.

O projeto é vinculado ao Programa de Pós-graduação em Odontologia e

supervisionado pelo professor Adriano Loyola. Serão avaliados cerca de 400

pacientes atendidos pelo Centro de Referência Atenção Integral à Saúde

Transespecífica (Craist) do Hospital de Clínicas de Uberlândia (HCU/UFU),

além de outros atendidos pelo ambulatório municipal.

Ao longo de 2018 foram promovidos sete encontros para debater temas

relacionados à saúde transespecífica, mais especificamente as infecções

sexualmente transmissíveis. Em novembro, os pesquisadores organizaram uma

*campanha de testagem

http://comunica.ufu.br/noticia/2018/11/campanha-oferece-testes-de-hiv-e-…

de HIV, sífilis e hepatites virais, em parceria com o Ambulatório Herbert

de Souza, que atendeu a 534 pessoas.

Mas o estudo promete ir além. “A gente vai aplicar um questionário que

vai abordar histórico dos antecedentes de saúde, saúde bucal, processos de

transição de gênero, informações sociodemográficas e experiências de

preconceito e discriminação nas escolas, banheiros, relação com

autoridades policiais, questões de violência e bullying. É uma pesquisa

muito ampla”, explica Ferreira.

Há também uma parte qualitativa da pesquisa que abordará a percepção dos

transgêneros sobre a saúde bucal e dos profissionais de odontologia e outra

que abordará a percepção dos alunos da Faculdade de Odontologia em

relação aos transgêneros. O questionário foi submetido ao *Comitê de

Ética em Pesquisas com Seres Humanos http://www.comissoes.propp.ufu.br/CEP*

e aguarda validação. A aplicação está prevista para começar em março.

“O questionário é norte-americano, foi utilizado numa grande pesquisa que

envolveu todos os estados dos Estados Unidos, e consideramos muito importante

validar no Brasil justamente porque nós não temos aqui, validado, nenhum

outro instrumento para pesquisa com transgêneros”, completa o pesquisador.

Ferreira é graduado em Odontologia, mestre em Saúde Coletiva e doutor em

Ciências.

*Odontologia e transgêneros*

A pesquisa inédita com pessoas trans observará aspectos da saúde geral,

mas é vinculada à Faculdade de Odontologia da UFU. Há especificidades da

saúde bucal desse público? Segundo os pesquisadores, os estudos nessa área

são raros e, por isso, não há muitos dados, mas eles partem de hipóteses

que consideram as alterações hormonais e a exposição a cosméticos como

influenciadores da saúde odontológica.

Um exemplo é o hormônio estrogênio, utilizado na transição do sexo

biológico masculino para o gênero feminino. Segundo Loyola, uma maior

quantidade desse hormônio no organismo, como ocorre na gravidez, por

exemplo, aumenta o risco de doenças periodontais. Isso acontece também com

as mulheres trans? A pesquisa tentará responder.

Professor Adriano Loyola (esquerda) supervisiona a pesquisa de pós-doutorado

de Sérgio Ferreira Júnior (direita) (Foto: Milton Santos)

O professor Loyola, que atua na UFU desde 1988, acolheu a proposta de

Ferreira por considerar que faltam estudos sobre a saúde da população

trans e sobre doenças sexualmente transmissíveis na sua área de atuação.

“Durante o advento da aids, nas décadas de 80 e 90, a vivência nossa na

Odontologia foi muito limitada. O que se fazia era atender as pessoas que

eventualmente chegavam com determinado diagnóstico ou com uma possibilidade

de diagnóstico, mas você não teve em cima disso nenhum atendimento

sistemático com vistas a orientar a percepção do problema: quais são

esses pacientes, quais são os fatores de risco mais importantes”, recorda.

“Nós pensamos o seguinte: a saúde bucal e a saúde geral do paciente eram

os dois alvos principais do projeto, mas a gente achava que seria muito

interessante se conjugasse isso com intervenções periódicas na comunidade

e até fora da comunidade para discutir o assunto”, explica. Daí nasceu a

parceria com o ambulatório Craist.

O professor aponta ainda a importância da ciência para combater a

discriminação. “O desconhecimento gera preconceito e gera um afastamento

muitas vezes permeado por uma violência, quer seja verbal, quer seja

física. Esse projeto cria mais uma janela para abrir possibilidades para que

a população conheça quem são essas pessoas, quais são as suas

necessidades”, finaliza.

A pesquisa deve ser concluída no fim de 2019. Acompanhe o Comunica UFU para

conhecer os resultados.

FONTE: Comunica UFU

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