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Pandemia pode agravar doenças do sono

Posted on 25 de março de 2020

Insônia provocada por estresse e maus hábitos podem afetar a saúde; quem tem apneia deve redobrar a atenção

Desde o início da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), tornaram-se comuns comentários de noites mal dormidas em função da preocupação e do estresse provocados pelo medo da doença. Agora, com a mudança da rotina por causa do trabalho home office, a situação pode se agravar. E para quem tem apneia do sono, a infecção por coronavírus pode ser algo grave.

Veja abaixo as orientações de Gustavo Moreira, médico e pesquisador do Instituto do Sono, da AFIP (Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa). O especialista é doutor em ciência pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e foi fellow Clínico em Terapia Intensiva Pediátrica pela Universidade de Maryland (1997) e de pesquisa em Pneumologia Pediátrica pela Universidade Johns Hopkins (1997), ambos nos Estados Unidos.

Sono e home office

De acordo com Moreira, a perda crônica de sono pode culminar no aumento de casos de insônia e vale a população adotar alguns cuidados. O especialista indica algumas orientações para um sono melhor, mesmo para quem trabalha em casa, tais como:

– se expor à luz do sol pela manhã:

– acordar e dormir em horário habitual;

– manter horários regulares para alimentação;

– evitar cochilos durante o dia;

– manter momentos de relaxamento, alongamento ou meditação;

– evitar eletroeletrônicos uma hora antes de dormir.

“Essas são orientações sempre válidas para ter um sono de qualidade. Mesmo com a alteração do dia a dia, é importante manter esse passo na rotina, para dormir bem”, explica. O especialista destaca, ainda, que estudos apontam a privação de sono crônica como um fator que reduz a imunidade.

Apneia e coronavírus

Um dos problemas mais sérios entre sono e o coronavírus está relacionado à apneia obstrutiva do sono, uma doença caracterizada pela parada respiratória provocada pela obstrução da faringe. “O CPAP é um equipamento de oferece ar com pressão positiva por máscara nasal, que em um paciente com COVID-19 pode expelir um número maior de virus no ambiente”, explica Moreira.

Como a apneia obstrutiva do sono é um problema crônico, é arriscado interromper o tratamento por um período é limitado, salvo nos casos graves ou pacientes com síndromes de hipoventilação. Estes últimos, em geral, utilizam BIPAP ou ventilador volumétrico e não podem prescindir da terapia.

Os pacientes que parem de usar os equipamentos têm maior risco de apresentar mais sono, acidentes, quedas e problemas cardíacos. Por isso, recomenda-se aos que interromperem o tratamento que evitem dirigir, tenham precauções para evitar quedas e limitem o uso de álcool e sedativos.

O médico poderá usar tratamentos alternativos para apneia do sono, como terapia posicional, aparelho intraoral, descongestionantes ou anti-inflamatórios nasais. “Os efeitos dessas terapias serão, na maioria das situações, parciais. Cabe ao profissional de saúde decidir a melhor alternativa”, explica o pesquisador. O paciente com Covid-19 deve permanecer em quarentena por pelo menos 14 dias e os coabitantes devem seguir recomendações de isolamento domiciliar.

Sobre o Instituto do Sono

O Instituto do Sono (sono.org.br) é um centro de referência mundial em pesquisa, diagnóstico e tratamento em distúrbios do sono. Fundado em 1992 pelo professor Sergio Tufik, é formado atualmente por mais 100 colaboradores, entre eles médicos de diversas especialidades, técnicos, psicólogos, biólogos, biomédicos, dentistas, assistentes sociais, enfermeiras, fisioterapeutas, educadores físicos e pesquisadores.

Além do atendimento à população, conta com uma área educação continuada que já capacitou mais de 4.000 médicos e outros profissionais de saúde.

O Instituto do Sono faz parte da AFIP (Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa – afip.com.br), uma instituição privada, sem fins lucrativos e filantrópica, fundada por profissionais da área da saúde, professores universitários e pesquisadores há mais de 40 anos com o objetivo de fornecer suporte financeiro para atividades de docência, pesquisa científica e atendimento médico à população.

Fonte: GPeS – Health Branding and Business

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