O câncer de colo do útero representa 3,7% dos novos casos registrados no país.
Com a proximidade do Março Lilás, campanha nacional dedicada à conscientização e ao enfrentamento do câncer de colo do útero, cresce o alerta para a importância da prevenção da doença, que ainda figura entre as principais causas de morte por câncer entre mulheres no Brasil. A mobilização tem como foco orientar e sensibilizar a população feminina sobre a vacinação contra o HPV e a realização periódica do exame preventivo (Papanicolau), medidas fundamentais para o diagnóstico precoce e para a redução significativa da mortalidade associada à doença.
O assunto acende um alerta a cada ano. O Brasil deve registrar 781 mil novos casos da doença cânceres por ano até 2028. Quando descartados os tumores de pele não melanoma (de alta incidência, mas baixa letalidade), a projeção é de aproximadamente 518 mil casos anuais. E mais: os cânceres de mama feminina e próstata se destacam como os mais frequentes, respondendo, cada um, por aproximadamente 15,0% das novas ocorrências. Logo, aparecem os cânceres de cólon e reto (10,4%), traqueia, brônquio e pulmão (6,8%), estômago (4,4%) e colo do útero (3,7%), de acordo com dados que constam da publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil, do Inca divulgada recentemente.
Principais sintomas
Mesmo sendo um tipo de câncer amplamente prevenível, o câncer do colo do útero ainda preocupa especialistas. Os principais sintomas, quando a doença já está em estágio mais avançado, incluem sangramento vaginal pós-coito, como sensações, corrimentos ou sangramentos que ocorrem logo após a relação sexual, ou ainda fora do período menstrual. No exame físico, um dos sinais mais sugestivos é o colo uterino friável, com presença de lesões ulceradas no momento da coleta.
“Essas alterações geralmente só aparecem quando há lesões mais graves e invasivas. Muitas vezes, lesões que são totalmente passíveis de cura não são visíveis a olho nu, por isso o rastreio de rotina é fundamental”, explica a ginecologista e obstetra dra. Silvia Caixeta.
Segundo a médica, a alta incidência da doença está diretamente relacionada a diversas questões. “Muitas pacientes deixam de realizar o exame por preconceito, por ser um procedimento íntimo, desconfortável e, em alguns casos, doloroso quando não é feito com o devido cuidado”, afirma.
Ela também destaca fatores comportamentais. “A maioria das pessoas ainda não faz uso regular de preservativo, e nós também ainda não chegamos à fase em que a população adulta atual tenha sido amplamente beneficiada pela vacinação contra o HPV na adolescência. Por isso, ainda não vemos plenamente o reflexo dessas medidas de prevenção”, pontua.
Importância do Papanicolau e novas diretrizes
A dra. Silvia Caixeta reforça que o exame Papanicolau continua sendo uma ferramenta essencial, já que o intervalo entre o contato com o vírus HPV e a manifestação do câncer pode chegar a até 10 anos. “Se a testagem for feita regularmente, é muito provável que a lesão pré-cancerígena seja identificada antes do câncer se desenvolver, interrompendo completamente esse processo”, alerta.
Recentemente, houve uma atualização na política de prevenção do câncer do colo do útero. Até então, a recomendação era a realização do exame preventivo entre os 25 e 64 anos, com dois exames consecutivos normais e intervalo de três anos entre as coletas.
“Agora, passamos a adotar a testagem do DNA do HPV. Se o resultado for negativo para HPV de alto risco, o intervalo pode ser ampliado para até cinco anos. Caso seja positivo para os subtipos 16 e 18, que são os mais associados ao câncer, a orientação é realizar diretamente a colposcopia, um exame mais específico para avaliar lesões no colo do útero”, detalha a médica.
Nos casos em que o exame aponta HPV de alto risco diferente dos subtipos 16 e 18, a conduta é o co-teste, avaliando se houve alteração no Papanicolau. “Se não houver alteração, a repetição do exame é indicada em um ano”, completa.
Para mulheres com distúrbios imunológicos, como pacientes vivendo com HIV ou transplantadas em uso de imunossupressores, o protocolo é ainda mais rigoroso. “A testagem deve começar no início da vida sexual, com intervalo de três anos se o exame for negativo. Na presença de qualquer tipo de HPV de alto risco, a colposcopia já é indicada”, conclui a médica.
