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GEOMETRIA

Autor José Airton de Oliveira

Nos compassos da vida eu vou circulando minhas esferas e colocando nelas as mais variadas cores, para que embeleze minha existência. Geometricamente falando, claro que não vivo somente de círculos, também traço quadrados, retângulos e triângulos, porque percorro caminhos dos mais variados. Nas retas que passei, as curvas foram muitos e em algumas delas acidentei, faltava-me às vezes experiência ou até mesmo habilidades, porém foram determinantes para que eu alcançasse esse patamar do que sou atualmente. Mas superei muitas dificuldades, estando pronto para enfrentar as que terei na minha continuidade, porque sei que surgirão muito mais. Estou tentando manter o equilíbrio, galgo oportunidades das mais diversas na busca da minha hegemonia, pois assim eu terei condições de planejar minha persistência em me manter vivo, com condições de encarar as intemperes da vida. Vou seguindo e aprendendo como lidar com a exatidão do meu existir, deparo com as mais variadas formas e tenho conseguido calcular tudo isso, em todos os ângulos, adjacências, hipotenusas, sem ter certeza se chegarei a um determinador comum. Deparo-me com meus divisores e até os dividendos, que se multiplicam a partir do tempo, anos que somo no caminhar da minha sobrevida. Ainda não descobri uma forma de entender o amor na sua conta exata, sei que não fórmula, sempre surge uma dúvida, então cheguei a conclusão que gostar será uma conta com infinitas casas decimais, não existe exatidão. Quando se ama de verdade, não se pode medir, pesar, calcular e determinar um número certo, tem que ser infinito, o finito será a conta errada, por não ter sigo possível chagar-se a um denominador comum. Então, consciente que matematicamente não se mede paixão, porque apaixonar é a forma mais intensa de amar, vou buscar outra opção para me agarrar, descobri que sou melhor em literatura e para livrar-me das minhas agruras, eu vou fazer poesia, isso me proporcionará sonhar, acreditar na magia e quando fizer amor, fugirei do trivial, entenderei que não terei que ser exato, mas simplesmente, não ignorar quem estiver me amando, poderei dar tudo de mim, então não serei subtraído, mas multiplicarei minhas certezas, para que corpo e alma sintam o mesmo prazer. Aí sim, matematicamente serei feliz.