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Estudo da Química desenvolve chá comestível em formato de bolinha

Posted on 15 de dezembro de 2018

O pó é transformado em grânulos e, no futuro, serão recobertos por
chocolate (Foto: Milton Santos)

O chá é uma das bebidas mais consumidas no mundo e cai muito bem nos dias
frios ou quando o corpo está cansado em razão de um resfriado. Essa bebida,
que também previne doenças, costuma ser tomada pela população por meio da
infusão da água com a erva. Porém, em breve, poderá ser experimentada em
um novo formato.

Essa é a proposta do estudo da mestranda Ana Paula Rehder, orientada pelo
professor Marcos Antonio de Souza Barrozo, no Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Química, da Universidade Federal de Uberlândia (PPGeq/UFU).

A ideia é juntar os compostos presentes no chá e formar uma “bolinha”,
por meio de um processo denominado aglomeração. Dessa forma, o chá se
torna visualmente mais interessante e com um paladar mais agradável, já que
será possível adicionar substâncias que contribuem para a absorção dessa
bebida, como, por exemplo, o chocolate.

*A transformação*

Para chegar ao produto final, foi necessário realizar alguns procedimentos.
Na primeira etapa da pesquisa, que iniciou no segundo semestre de 2017,
Rehder fez análises para identificar o nível de compostos bioativos
presentes no “chá gelado”, produto escolhido para o estudo. A bebida é
uma mistura de chá branco, verde, menta e hortelã.

Para isso, foi utilizado um equipamento denominado HPLC, que realiza a
cromatografia líquida de alta eficiência – um método de separação de
compostos químicos em solução. Os resultados identificaram compostos
bioativos que auxiliam na prevenção de várias doenças.

O próximo passo, ainda em desenvolvimento, é transformar o formato do chá:
o pó passa a ser bolinhas. Nessa etapa, é necessário utilizar um
equipamento semelhante a um cilindro, sendo possível alterar sua
inclinação para formar os grânulos do tamanho desejado.

Pesquisa é realizada no Laboratório de Engenharia Bioquímica da UFU (Foto:
Milton Santos)

Rehder explica que a mudança na forma visa proporcionar uma ingestão maior
dos compostos presentes na bebida. “Inicialmente estamos fazendo as
bolinhas, mas o próximo passo é tornar comestível e analisar o que é
melhor. Nos estudos que extraímos os compostos, a gente viu que com a água
se extrai muito menos. Às vezes só tomando a infusão do chá não dá para
ingerir todos os compostos que ele possui”, explica.

*Quase pronto para o consumo*

Para finalizar o projeto, a pesquisadora conta que serão necessários
estudos para identificar a quantidade de cada composto que deve haver em cada
bolinha. “A ideia é simular uma solução do estômago humano para saber o
quanto ele absorveria. Estamos olhando também em artigos de estudos de
nutrição para ver quanto indicam”.

Com o objetivo de tornar o chá em bolinha mais atraente e de fácil
ingestão, é preciso utilizar algum tipo de alimento com gordura. Assim,
surgiu a ideia de recobri-lo com chocolate, já que evita o processo de
degradação, além de manter as propriedades. “Às vezes, a pessoa vai
olhar e falar ‘não quero’, mas, com o chocolate ou outra coisa que dê
um gosto bom, a pessoa vai ingerir”, acredita Rehder.

*Os benefícios*

Após análise, a pesquisa identificou que o chá tem quantidades elevadas de
antioxidantes – moléculas de defesa e proteção celular. Essas moléculas
são fundamentais para combater os radicais livres produzidos em excesso no
nosso corpo, que causam cansaço e doenças degenerativas.

“Quando coloco o chá extraído no recipiente, ele oxida quase tudo, tendo
muito poder antioxidante. Então, ele evita que os radicais livres fiquem
soltos no corpo e previne doenças crônicas, cardíacas e, principalmente, o
câncer”, explica Rehder.

A pesquisa é realizada em parceira com a empresa Provanza e desenvolvida no
Laboratório de Engenharia Bioquímica (Labio/UFU). Rehder comenta que um dos
chefes dessa empresa viu um produto semelhante em Vancouver. Em seguida,
entrou em contato com o professor Barrozo, que aceitou o convite para
realizar o estudo juntamente com mestranda.

Fonte: ComunicaUFU

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