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Catações

Posted on 15 de fevereiro de 2019

Nas crendices das histórias contadas, ainda nos meus tempos de criança, as que mais me prendiam a atenção eram os causos de assombração. Lembro-me ainda hoje desses contados que nos eram relatados quando sentávamos no chão, eu meus irmãos, os primos, juntos e atentos numa grande roda de meninos, que sempre nos tirava de qualquer outra brincadeira. Adulto, agora nesse tempo, quando abordo meu pai sobre o assunto, ele repete tais fatos contados como os fazia em nossa infância, nos garantindo que acontecera de verdade, garantindo que fora protagonista, ou escolhia alguns dos dele, parentes próximos, como vitimas do assédio de almas perdidas que vinham para assustar os vivos. Essas histórias sempre foram contadas pelos meus avós e tios também, quase uma tradicao familiar. Se perguntados, alguns deles recontam e garantem a veracidade, sendo tão convictos, que fica difícil não acreditar. Quanto aos personagens como saci, curupira, cuca, mula sem cabeça, lobisomens e outros vários, descobri na época de escola, personagens folclóricos capitados das obras de Monteiro Lobato, catacões do nosso folclore. Dai fantasiávamos muitos objetivos, sonhávamos e casávamos aqueles seres mágicos, montando armadilhas que fazíamos para capturar tais fantasias. Claro que não caçávamos assombrações, inclusive nas noites de quaresmas, nos seus 40 dias muito sofridos, era quando mais temíamos as aparições da noite, pois todos afirmavam que era nessa época que a frequência de aparecimentos dos desencarnados se faziam mais comuns. Eu não cheguei a contar casos fantasmagóricos para os meus filhos, porém fantasiamos alguns lugares, aqueles que apresentavam uma obscuridade maior. Aproveitando isso, então criei algumas figuras do além, nunca vistas, apontando que habitavam determinado local, tornando-o assustador. Assim fizemos com uma árvore seca e antiga que habitava um terreno baldio e escuro perto de casa. Chamamos o local de árvore assombrada. Em noites de lua cheia já cacei vagalumes, insetos que se faziam como estrelas cadentes, em voos desordenados, enchendo de luzes às noites próximas às nossas casas, nos trazendo inimagináveis aventuras e esperanças as voltas com belas ocorrências da natureza. Quantas vezes passamos sem comer e beber, na busca de não perder tempo, evitando que fosse diminuído o nosso tempo de brincar de ser feliz. Perder aquele juntado de oportunidades de ter ao lado a companhia de várias outras crianças carregadas dad mesmas crenças, viver como não existisse tempo para crescer. Já voei sem nunca sair do chão, conquistei a lua. Ainda na pouco idade fui super herói, amei quem devia ou não, até quem nunca me amou, apanhei de varas de amoreiras sem sentir dor, porque logo depois tinha afagos e mais espaços para brincar. Fui Don Quixote e enfrentei muito mais moinhos que o cavaleiro da triste figura, até amigo de São Jorge montado em garanhões enormes, vividos por cabos de vassouras que animávamos com nossa vontade que fossem reais. Quantas vezes pude ser um piloto veloz num carrinho de rolimã e visitar os céus nas asas da minha pipa. Usei granizo, caídos com as chuvas de verão para gelar a minha limonada feita com limão de gosta, a qual sorvia durante a chuva que por hora nós afastavam do brincar. Quantos anjos já me protegeram nos meus descuidos, dando-me asas para não se esborrachar das quedas de pés de mangas. Já fui índio e cawboy, dominei onças, montei em touros bravos, fui fera, fui palhaço, de carne e de aço. Fui menino, criança que entendeu a vida na sua essência, que perdoou, chorou, sem vingança, com esperança e capacidade de enfeitar a vida de amor.

Texto: José Airton de Oliveira.

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