Texto: José Airton de Oliveira
Eu estava aqui sozinho, seguindo o meu caminho, viajava nos pensamentos, parei diversos momentos, para conversar com Deus, naquele momento Ele não me respondeu, mas tenho certeza que me ouviu, pois as vezes sentia um arrepio, como se ele falasse comigo. Acredito e tenho dito, Ele deve ter anotado na agenda, feito uma encomenda, para depois atender e me mostrar. Isso eu já sei e posso até te contar, Deus não promete, faz, desfaz, deixa o agraciado perceber, não cobra por isso, por esse serviço, faz e espera acontecer, evoca pelo saber, cuida do filho, faz com tanto brilho, que passa sem perceber. Não estou pedindo castigo, mas guarida e abrigo, cobro justiça, até comentei sobre injustiça, insisti na partilha, para seguir uma trilha, também pedi perdão, mas sinceramente, ainda possesso pedi explicação. O que eu não sabia, mas deveria, é que Deus não justifica nada não, Ele faz sem dar satisfação, não precisa dar explicação. Mas eu sou tão pequeno, então peço pra me contar, porque ainda sou ingrato, um ser humano nato, ainda não tenho a percepção. Consciente desse meu lado, rezo calado e peço perdão, diante do Pai sou pequeno, destilo veneno, sou cheio de incompreensão, mas estou lutando, minha dores enfrentando, tentando aprender. Só quero confessar, não sou de duvidar, entendo que seja a ansiedade, diante de tanta crueldade, a necessidade que mata um irmão, muitas vezes o de pouca idade, que nem nasceu de verdade, isso causa obstinação. Mas Senhor, tenha certeza que eu tenho devoção, sempre peço perdão, faço oração, sou feito menino, marco meu destino com minha incompreensão, mas tenho devoção, o Senhor sabe que não é mentira não. Quero te contar que tudo que eu almejo, meu maior desejo, não é mais pra um irmão, veja que estou falando de pão, um lugar para morar, digno para descansar, tudo que a maioria não tem e que cairia muito bem. Por que meu Deus, dar tanto para tão poucos, esses capitalistas loucos, povo egoísta, nada altruísta? Isso causa irritação, deveria haver partilha, tudo na mesma trilha, uma melhor divisão. Como eu posso aceitar, isso acontece com um político aprovando salário mínimo, que nada consegue comprar, afirmando que com tão pouco o povo consiga alimentar, contrastando quando é para pagar mandato, ele age como um rato, pede mais do que necessita, reivindica salário alto, sobe no salto e só quer mordomias para saciar suas manias, luxo sem consternação. Eu só quero igualdade, solidariedade, agasalho para o frio, alimento quente, um lugar mais descente, para o pobre se abrigar, ninguém pode morrer de frio na calçada, debaixo de uma ponte, ou em qualquer lugar. Agora daqui vou me despedindo, mais uma vez vou pedindo, tomara que nem tudo seja sonho, ou esteja mais para pesadelo, sentimento bisonho, ainda peço desculpas pelo meu jeito de falar, mas eu posso afirmar, a conversa foi franca, quero que Deus alavanca, faça-me forte para lutar, eu sou contra o preconceito, não aceito o despeito, muito menos o desrespeito, luto pelo meu semelhante, peço para que ele suplante, supra toda a pobreza e que Deus na sua bondade, atendendo a necessidade, dê-lhe calor e comida, felicidade e guarida, cuidando dos menos abastados, filhos ignorados, desse mesmo Deus imolado.