É só chover que acontecem vários problemas relacionados ao escoamento de água em Uberlândia. Como a cidade cresceu muito nos últimos 30 anos, alguns bairros, construídos sem infra-estrutura inicial, são os que mais dão problemas aos moradores. É o caso, por exemplo, do Morumbi, onde há vários pontos de alagamento. Não é o mesmo que ocorre com os vizinhos Novo Mundo, Bem Viver, Vida Nova e Reserva dos Ipês, construídos também na zona leste, em uma área extremamente plana e longa, onde seriam comum as enchentes, se não fosse o planejamento de drenagem pluvial. Esses bairros têm sete bolsões de contenção, graças ao trabalho de planejamento urbano da ITV Urbanismo, pioneira nesse tipo de obra em Uberlândia e que nesse dia 13 comemorou 82 anos de história, sendo considerada a urbanizadora com mais tempo em atividade no Brasil.
Os bolsões, chamados também de piscinões, são uma espécie de piscinas cortadas no terreno natural e ligadas entre si, com capacidade de até 5 metros de profundidade e que retém a água da chuva, liberando o volume de forma gradativa em rios e córregos, sem agravar o meio ambiente. Segundo o engenheiro civil Walter Buiatti, contratado pela ITV Urbanismo para fazer o primeiro bolsão da cidade no bairro Jardim Sucupira e o projeto de drenagem do Novo Mundo e bairros vizinhos, essa é opção mais inteligente de se pensar no escoamento de água, tanto pela eficácia quanto pelo baixo valor baixo. “Quando se faz os loteamentos e impermeabiliza todas as áreas, quando os terrenos são tomados pelas casas, ruas e avenidas, o excedente de água vai correr para os córregos, mas eles não suportam e sofrem erosão, além das enchentes. E é por isso que foram criados os bolsões”, disse Buiatti.
O primeiro projeto desenvolvido na cidade foi no bairro Jardim Sucupira, há 20 anos, localizado também na zona leste, próximo ao Parque do Sabiá. Depois disso, várias outras empresas loteadoras e até mesmo a Prefeitura seguiram o exemplo. Ao todo, Uberlândia tem 26 bolsões com 156 mil m² de extensão, entre o Custódio Pereira e o centro empresarial leste, que juntos armazém 460 mil m³ de águas pluviais, o que corresponde ao consumo de água de 10 dias da cidade. A responsabilidade por construir os bolsões é das loteadoras e fica a cargo do Dmae fazer a manutenção, depois de quatro anos da inauguração do empreendimento.
Fonte: Núbia Mota