Olá amigos e cidadãos de Uberlândia, “Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé” (Timóteo 4:7-8)
Optei hoje por me dirigir a todos vocês uberlandenses, que nestes últimos seis anos estiveram apoiando as iniciativas desenvolvidas pelo GAECO de Uberlândia, para prestar os meus mais genuínos agradecimentos pelo apoio.
Despeço-me desta honrosa função para abrir novas portas e enfrentar novos e não menos corajosos desafios, certos de que serei substituído por vocacionados e dedicados colegas que, como eu e tantos outros, continuarão a combater o crime organizado na região do Triângulo Mineiro.
Nestes longos seis anos de trabalho contei com a inexorável e imprescindível contribuição das equipes operacional, jurídica e de perícia do GAECO, notadamente dos policiais militares coordenados pelo amigo e eterno parceiro Capitão Isaías, além do indispensável apoio de policiais rodoviários federais, estagiários e servidores do Ministério Público.
As lutas foram árduas, difíceis e muitas vezes afetaram e ainda afetam nossa segurança pessoal – minha e de minha família, que viram diminuir sensivelmente nosso tempo e qualidade de convívio.
Só aqueles que enfrentam a realidade que se descortina atrás das portas dos gabinetes podem ter a exata noção do cotidiano das investigações, das oitivas, da análise de documentos e elaboração de peças processuais.
O trabalho do grupo esteve sempre sustentado na legalidade e na lisura e, exatamente por essa razão, encontrou questionamentos em meio àqueles que preferem continuar a viver em um Brasil onde a coisa pública se confunde com a privada e onde continue a reinar a impressão de que o crime compensa, que não é o Brasil no qual acreditamos.
Muito aprendi nestes últimos seis anos.
Deixo agora essa função e o faço de cabeça erguida e ciente do dever cumprido que, vale registrar, serve de legado àqueles que me sucederão, considerando que o GAECO foi preponderante na diminuição da corrupção de agentes da administração pública, da corrupção policial, dos roubos de carga e ônibus nas estradas da região, reduzidos a zero após as operações TNT em 2015 e Dominó em 2018, apenas para citar dois exemplos exitosos nas 53 (cinquenta e três) operações realizadas, com a prisão de 1187 (hum mil cento e oitenta e sete) investigados.
Estou certo de que contribuí para a transformação positiva da sociedade.
Os resultados obtidos com o trabalho do GAECO Uberlândia foram prodigiosos e, nada mais natural, que por vezes não tenham sido bem recebidos e compreendidos, principalmente quando avaliados pela ótica daqueles acostumados a obter vantagens econômicas e políticas com a prática reiterada de crimes.
Também compreendo o quão naturais e legítimas são e foram as divergências de entendimento jurídicos, situações inerentes ao Estado Democrático de Direito como o nosso Brasil. Neste ponto, agradeço à imensa maioria dos advogados com quem litiguei, com ética e lealdade, sem levar as questões para o lado pessoal.
Sou grato à comunidade uberlandense pelo constante apoio ao trabalho de toda a equipe, aos amigos que estiveram ao meu lado nos momentos de tensão e desânimo, e especialmente a Deus e a meus familiares, sendo hora de registrar que nestes últimos seis anos, também formamos a grande e vitoriosa FAMÍLIA EQUIPE GAECO, coesa, corajosa e fraterna.
Sou grato aos juízes da comarca, pela distinção de tratamento que sempre me dispensaram e pela confiança no trabalho do GAECO Uberlândia. Sou grato aos Procuradores Gerais de Justiçam dos últimos seis anos, pela confiança na manutenção de nome à frente do GAECO por todos esses anos e a todos os membros do Ministério Público do Estado de Minas Gerais.
Sou grato aos servidores da Justiça e do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, que desempenharam heroicamente funções sem as quais os resultados exitosos não seriam obtidos.
Sou grato aos órgãos de imprensa de Uberlândia, que exerceram com louvor a garantia constitucional da liberdade de imprensa.
Sou grato pela fase que vivi, pelo trabalho que fiz junto com o grupo, pelos resultados que obtivemos e pelo legado que deixamos em prol da cidade de Uberlândia que acolheu a mim e minha família.
Chegou a hora de fazer a travessia. A estrada percorrida nestes anos tem boa parte dela já pavimentada e continuará a ser construída por colegas mais jovens e competentes e que como eu, acreditam na democracia, na liberdade de imprensa, no livre mercado e num judiciário cada dia mais capaz de jugar sem influências do poder político ou econômico.
A hora é de entrega da chave da porta do GAECO Uberlândia.
É hora de voltar para a minha família, desacelerar um pouco, observar as pequenas coisas do cotidiano, conversar com meus filhos, apreciar as pequenas coisas do dia-a-dia, conviver com os amigos e diminuir o rol das preocupações diárias.
Sou Promotor de Justiça por vocação e o trabalho continua. “(…)
VII – SÊ BRAVO. Arrosta os perigos com destemor, sempre que tiveres um dever a cumprir, venha o atentado de onde vier; (…) X. SÊ INDEPENDENTE. Não te curves a nenhum poder, nem aceites outra soberania, senão a da lei”. (…)”
(J. A. César Salgado, “Decálogo do Promotor de Justiça”, in II Congresso Interamericano do MP, 1956).
Obrigado a todos.
Daniel Marotta Martinez Promotor de Justiça
Ministério Público de Minas Gerais