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Estudo da UFMG alerta: uma xícara de café por dia pode não ser dose segura de cafeína na gestação

Posted on 10 de dezembro de 2019

A cafeína é uma substância muito usada por mulheres grávidas, não apenas como um hábito muito comum, mas também como um meio de reduzir os sinais de sonolência e fadiga durante a gestação. Além disso, a cafeína é encontrada em chás, chocolate e várias bebidas comuns no dia a dia. Contudo, no caso de mulheres grávidas, uma pesquisa experimental do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG mostra que pode não haver uma dose segura para a ingestão de cafeína.

Desenvolvida pela nutricionista Thaís de Mérici e Paula, sob a orientação dos professores Fernanda Almeida e Enrrico Bloise, do programa de Pós-Graduação em Biologia Celular, a pesquisa de doutorado parte do pressuposto de que a ingestão da cafeína pode comprometer o desenvolvimento folicular ovariano, fetal e placentário. O estudo recebeu o prêmio YW Loke New Investigator Travel Award 2019, no congresso da Federação Internacional das Associações de Placenta, na Argentina.

Para avaliar essa hipótese, os cientistas testaram a ingestão das atuais doses consideradas seguras na gestação, bem como doses mais altas. Diante da impossibilidade de fazer esses testes em seres humanos, foram feitos em camundongos prenhes, da linhagem Swiss e C-57 Black.

“Nossos resultados mostraram que as doses atualmente recomendadas de cafeína podem não só causar uma redução dos pesos fetal e placentário, mas também alterar toda a vascularização da placenta e, consequentemente, favorecer a ocorrência de uma enfermidade conhecida como da Restrição Intrauterina de Crescimento (RIUC)”, afirma Thaís de Mérici. No estudo, os fetos oriundos de mães que consumiram doses moderadas de cafeína (três xícaras de café ao dia) sofreram essa restrição intrauterina.

Com base nesses e em outros resultados, o grupo de pesquisadores do Laboratório de Biologia Estrutural e Reprodução do ICB conclui que a dosagem considerada segura de cafeína durante a gestação precisa ser urgentemente reavaliada na prática clínica com pacientes humanos. Eles observam que os cientistas já sabem que camundongos apresentam uma menor sensibilidade a essas substâncias quando comparados à sensibilidade humana, mas defendem que, enquanto isso não acontece, seria sensato que mulheres grávidas evitassem o consumo de café e dos outros produtos que contêm cafeína.

“Esse cuidado extra poderia prevenir doenças e condições de saúde futuras e, com isso, reduzir tanto a necessidade de tratamentos complexos de custo elevado, quanto também poderia permitir uma melhor qualidade de vida para os filhos dessas mulheres”, afirma Thaís de Mérici. Segundo a pesquisadora, tanto animais quanto humanos acometidos por RIUC podem desenvolver doenças crônicas de difícil tratamento, como diabetes, dislipidemias, obesidade, síndrome metabólica, câncer, doenças cardiovasculares dentre outras. Embora mais comuns em adultos, esses problemas poderiam ter sua origem ainda na vida intrauterina e estarem associados ao mau funcionamento placentário, à alimentação materna inadequada e à ocorrência de RIUC.

Dados da pesquisa

Título: O consumo de doses consideradas seguras de cafeína durante a gestação altera a biometria fetal e a morfologia placentária em modelos murinos

Pesquisadora: Thaís de Mérici Domingues e Paula

Programa: Pós-Graduação em Biologia Celular (doutorado)

Orientadora: Fernanda Almeida

Co-orientador: Enrrico Bloise

Alunos de Iniciação científica envolvidos: Lucas Cardoso, Guilherme Gonçalves, Luís Belotto, Felipe Prado e Hortência Oliveira.

Demais participantes: Fernando Felicioni, André Caldeira-Brant, Thaís Santos, Hélio Chiarini-Garcia e Gustavo Menezes.

Fonte: Cedecom

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