Certamente não era este o destino que a engenheira, ex-servidora da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (Seplan), da Prefeitura de Uberlândia-MG, esperava aos 54 anos de idade. Presa, na noite do feriado de 15 de novembro (Proclamação da República), conduzida, primeiro para o Plantão da Delegacia de Polícia e depois para o Presídio Professor Jacy de Assis. Regilda Célia Siqueira é investigada pelo Ministério Público Estadual (MPE) por “ajudar” na aprovação de vultosos projetos elaborados por construtoras renomadas no município de Uberlândia-MG, mas que não eram por “serem generosas”, mas de acordo com as investigações, por ganhar “generosos” recursos financeiros de forma fraudulenta. A prisão da ex-funcionária pública foi feita em uma das principais avenidas da cidade, João Naves de Ávila e segundo consta no Reds (BO), registrado pela Polícia Militar (PM), ela estava dentro de um veículo estacionado na via, mas em atitude suspeita. A engenheira já era considerada foragida, uma vez que na quinta-feira, véspera do feriado (14), Regilda não havia sido localizada e nem se apresentado à Justiça que havia expedido o Mandado de Prisão Preventiva. Conforme consta nos autos do processo do MPE, existe ainda a participação de Guilherme Mota, arquiteto, que em “parceria” com a ex-servidora, ofereciam serviços de consultoria, com facilidades de aprovação de trâmites à grandes companhias do setor da construção civil. Para isso, era utilizada a empresa RCS Empreendimentos e Consultoria LTDA e, provavelmente, para não levantar suspeitas, usavam outros profissionais para assinarem os projetos. O fato é que o MPE também quer ouvir e saber, de fato, quem são estes “profissionais”, já que não são isentos da prática de crimes de falsidade ideológica. Alguns já foram descobertos, mas ainda há outros “desaparecidos”, só não se sabe até quando. Toda esta “armação que rendeu grandes proventos financeiros” foi denunciada no domingo (10) pela equipe do Fantástico em rede nacional. Oficialmente, dentro do que já foi apurado, a movimentação financeira ultrapassa a casa dos R$ 15 milhões, conforme indicado com a quebra do sigilo bancário de Regilda Siqueira. O “novelo de lã” começou a ser puxado e já foram denunciados os ex-servidores da Seplan Débora de Araújo e Moisés de Lima. As investigações apontam que os esquemas tiveram início em 2015, durante a gestão de Gilmar Machado (PT), e encerram em 2018, já sob a gestão de Odelmo Leão (PP). Em virtude de “tanta obscuridade”, o MPE recomendou ao município, que os processos administrativos de loteamento e incorporação de imóveis sejam publicados no portal da transparência para que não haja aceleramento de projetos e que a ordem de chegada seja respeitada. Após a abertura da “caixa de pandora”, as investigações continuam, mas os promotores não disseram quais são as construtoras suspeitas de envolvimento nesta trama. Segundo a reportagem do programa “Fantástico”, 74 empresas podem estar diretamente ou indiretamente sob suspeita. A partir do dia 21, quinta-feira, começam as audiências de leniência com as construtoras que estão sendo investigadas e a primeira é empresa El Global, onde o vice-prefeito, Paulo Sérgio Ferreira é apontado como um dos diretores, embora tenha afirmado já ter se afastado da mesma, anteriormente. Já o arquiteto Guilherme Mota ainda não foi pedido a decretação da prisão do mesmo, uma vez que existem sim outras pessoas envolvidas no esquema.

