Cotidiano

CONVERSAÇÃO

Autor: JOSE AIRTON OLIVEIRA

Nunca ambicionei riquezas, pedi a Deus apenas compreensão, me livrando de sofrimentos intensos, proporcionasse-me um grande amor, um lugar para dormir e sonhar. Não quis que Ele me fizesse impune, até aceitei a dor, porém as suportáveis. Quanto à cruz, pedi também que afastasse de mim esse Cálice, ciente que Jesus já o tinha tido. Em criança implorei que nunca me deixasse só

e que não sonhasse pesadelos. Satisfiz-me com o pouco que tinha meus pais, o que pudessem me dar, nunca ambicionei ter mais, o impossível, fui feliz com o que me bastou. Na sequência das minhas andanças pela vida cai várias vezes, levantei, quando não fiz só reivindiquei, pedi ajuda, obtive. Acreditando já ter vencido, fui extorquido, incompreendido e estive perdido, às vezes não me encontrado com tanta facilidade, mas volto e enfrento toda e qualquer dificuldade. Já caminhei no escuro, duvidei do futuro, tive receio do presente, excomunguei o passado. Optei por escrever, dormir pouco, ficar louco, trabalhar ensandecidamente, fui até incoerente. Envelheci, não a ponto de terminar meu ciclo, cresci cronologicamente e continuo não querendo riqueza, peço apenas que me livre das decepções, para não macularem minha existência, a paciência. Quero pouco, muito pouquinho, preciso de carinho, vez em quando braços para os abraços, beijo para motivar o desejo, a correspondência, a decência, nada de decadência, uns olhos do passando me vendo outra vez, como já fez. Hoje nas minhas divagações penso muito e não perco, nos meus repentes de sanidades, sempre peço com muita certeza um lápis para desenhar, o mesmo para escrevinhar, consequentemente o papel. Preciso continuar vendo o céu, admirando o luar, entender que o sol irá raiar e brilhar, e,imitindo luz e calor. Nunca deixar de clamar pela chuva, em cada estrada, toda curva, quando terei que entrar com cuidado para não cair. Preciso saber onde vou e como ir. Que eu tenha sempre um pouco de arroz, e possa misturar ao feijão, de vez em quando emoção, uma visitação, mesmo que seja nos acasos, mas que não haja poucos casos. Clamo para ter sempre joelhos sarados para oração, um xícara de chá substituindo o café, muita fé, preciso continuar, forças e estímulo para lutar, saudades para recordar, a cabeça para o meu chapéu. Uma coisa eu acertei com Deus, para que cuide dos que são meus, será minha prioridade, e se tiver tempo olhe pra mim, deixe-me para depois, pois, pela ordem de importância, eu tive a minha infância, então não tenho mais urgência, preso pela decência,

a garantia que minha existência tenha valido a pena e eu possa ser lembrado, sem ser celebrado, sem nunca ter magoado, se, que tenham me perdoado.

Imagem meramente ilustrativa

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