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Professora da UFU é premiada por estratégia de compartilhamento de emoções

Projeto ‘Cajón’, de Daniela Carvalho, foi reconhecido pela Fundação Carlos Chagas

Atividades foram desenvolvidas na disciplina Ciências e Mídias, do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas

O cajón, aumentativo de caixa em espanhol, é um instrumento de percussão de origem afro-peruana. No século XVII, os africanos escravizados no Peru, após serem proibidos de tocar seus tambores, passaram a utilizar objetos de madeira como mesas, gavetas e caixas para produzir os sons que acompanhavam suas canções.

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O trabalho foi um dos três contemplados com o

Daniela Carvalho recebeu o prêmio em São Paulo no dia 23/11 (Foto: Arquivo pessoal)

Carvalho desenvolveu o projeto na disciplina Ciências e Mídias, no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UFU, em 2017, tendo por base as teorias do linguista russo Mikhail Bakhtin e do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. A partir de sua vivência docente e do estudo desses teóricos, a professora constatou que os valores intrínsecos dos outros como seres humanos singulares estão desaparecendo.

“Não vi outra possibilidade a não ser atuar nas brechas. Colocar-me junto aos meus estudantes em abertura. Em entrega ao desconhecido. Em fragilidades. Repensei-me professora”, afirma Carvalho, que faz aulas de música, de dança e gosta de escrever:

Eu-professora.

Uma anfitriã.

Ciceroneio estudantes por vão-palavras.

Salas-sensibilidades.

Ruas-poemas.

Cidades-livros.

Museus-pessoas.

Objetos-ao-vento.

Por lugares ainda não pisados.

Por nós.

A professora conheceu o

A primeira ação da disciplina foi convocar os alunos para uma entrega no laboratório de ensino. Carvalho colocou uma música de Heidi Joubert em som alto e sugeriu aos estudantes que compartilhassem “algo materializado que acessasse uma memória, um vivido, uma marca que reverberasse neles, tal qual o som do

Hoje parei num semáforo e um rapaz se aproximou com uma caixa de isopor. Abaixei o vidro e ele explicou que tinha vindo da Bahia e estava vendendo bombons caseiros. Eu disse que se tivesse dinheiro eu compraria, mas não tinha. Aí ele me falou para pegar um bombom. Repeti que não tinha dinheiro. O rapaz insistiu. Era um presente. Disse que eu tinha sido a primeira pessoa a conversar com ele no dia e que ele estava precisando somente de um sorriso.

A professora levou a embalagem do bombom para os alunos e disse que aquilo era o seu


O objetivo do projeto é levar cada sujeito a compartilhar memórias que reverberes nele, tal qual o som do cajón (Foto: Arquivo pessoal)

Outras atividades desenvolvidas ao longo de cada semestre letivo envolveram processos de criação com fotografias e textos autorais, que vão compor um livro digital que está em fase de editoração.

“Conseguimos com o

O trabalho está detalhado em um dos capítulos da publicação

Fonte: Comunica UFU