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Professora da UFU é premiada por estratégia de compartilhamento de emoções

Posted on 27 de novembro de 2018
Projeto ‘Cajón’, de Daniela Carvalho, foi reconhecido pela Fundação Carlos Chagas

Atividades foram desenvolvidas na disciplina Ciências e Mídias, do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas

O cajón, aumentativo de caixa em espanhol, é um instrumento de percussão de origem afro-peruana. No século XVII, os africanos escravizados no Peru, após serem proibidos de tocar seus tambores, passaram a utilizar objetos de madeira como mesas, gavetas e caixas para produzir os sons que acompanhavam suas canções.

O

O trabalho foi um dos três contemplados com o

Daniela Carvalho recebeu o prêmio em São Paulo no dia 23/11 (Foto: Arquivo pessoal)

Carvalho desenvolveu o projeto na disciplina Ciências e Mídias, no curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da UFU, em 2017, tendo por base as teorias do linguista russo Mikhail Bakhtin e do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. A partir de sua vivência docente e do estudo desses teóricos, a professora constatou que os valores intrínsecos dos outros como seres humanos singulares estão desaparecendo.

“Não vi outra possibilidade a não ser atuar nas brechas. Colocar-me junto aos meus estudantes em abertura. Em entrega ao desconhecido. Em fragilidades. Repensei-me professora”, afirma Carvalho, que faz aulas de música, de dança e gosta de escrever:

Eu-professora.

Uma anfitriã.

Ciceroneio estudantes por vão-palavras.

Salas-sensibilidades.

Ruas-poemas.

Cidades-livros.

Museus-pessoas.

Objetos-ao-vento.

Por lugares ainda não pisados.

Por nós.

A professora conheceu o

A primeira ação da disciplina foi convocar os alunos para uma entrega no laboratório de ensino. Carvalho colocou uma música de Heidi Joubert em som alto e sugeriu aos estudantes que compartilhassem “algo materializado que acessasse uma memória, um vivido, uma marca que reverberasse neles, tal qual o som do

Hoje parei num semáforo e um rapaz se aproximou com uma caixa de isopor. Abaixei o vidro e ele explicou que tinha vindo da Bahia e estava vendendo bombons caseiros. Eu disse que se tivesse dinheiro eu compraria, mas não tinha. Aí ele me falou para pegar um bombom. Repeti que não tinha dinheiro. O rapaz insistiu. Era um presente. Disse que eu tinha sido a primeira pessoa a conversar com ele no dia e que ele estava precisando somente de um sorriso.

A professora levou a embalagem do bombom para os alunos e disse que aquilo era o seu


O objetivo do projeto é levar cada sujeito a compartilhar memórias que reverberes nele, tal qual o som do cajón (Foto: Arquivo pessoal)

Outras atividades desenvolvidas ao longo de cada semestre letivo envolveram processos de criação com fotografias e textos autorais, que vão compor um livro digital que está em fase de editoração.

“Conseguimos com o

O trabalho está detalhado em um dos capítulos da publicação

Fonte: Comunica UFU

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