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PIPA

PIPA

Não tenho as asas que me fazem voar, mas posso tocar os céus no conduzir do seu ventar, me levando pelo flutuar. Navegarei preso por linhas umbilicais que me ligam à terra e à vontade de sonhar, evitando o meu dispersar. Várias as cores eram as minhas nesse flutuar, como confete entre nuvens fazendo encantar. Eu mesmo fabriquei cada uma das minhas intenções de chegar aos céus. Fazer-me mais perto do infinito num bailar impulsionado pela vontade do desafiar. Sou pipa a voar, brinquedo do querer de todos pra brincar, estar no ar pra amar. Na minha alma onde o grudar que cola minha pele colorida ao esqueleto é um polvilhar com água a cozinhar, que gerou a goma de colar. A pele que se estica entre varetas, no meu bambusar, mistura-se em colorida seda no papel de recortar, imitando a ilusão do nascimento de um ser alado que corta nuvens de algodão. Quero voar nessa pipa, às vezes tapete das arábias, ou bicho alado que se faz em uma cabeça como o corpo que se prende a um cabresto, ornamentado por uma longa rabiola em linha, com fitas de papel a esvoaçar, compondo um dragão, que com seus movimentos faz um ondificar. Mãos miúdas a socar, dizem como impulsionam um lindo rebolar, o encantar , fazendo firulas no ar, intencionar. Também é de mergulhar, buscar o desafio do recortar, desafiar, outra linha cortar e cair num flutuar devagar, sem ferir nem machucar, plainando na correria de moleques a ousar, pra catar o substantivo, que se faz artigo, só luxo a desejar. Vou continuar, quero o céu pra saçaricar, somar ao sol, ao dia que imputa o vento, como combustível do deslizar. Sou pipa, pra menino brincar, sou homem pra humanos amar, uma verdade escondida que quer se valer da vida pra ser feliz, poder sonhar.

Texto de José Airton de Oliveira