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LEMBREI RAUL

Lembrei Raul falando dos anos vividos, nas suas muitas poesias. Acredito ter sido um dos “tolos”, que pelo pouco ouro se encantou, desperdiçando tempo e somando oportunidades perdidas. Logicamente não ”vivi os dez mil anos” sugeridos pelo poeta, mas conheci a heresia, porque sou cidadão. Não dei “comida a macacos”, mas fundamentalmente interferi nas suas vidas, os mantive presos nas visitas aos zoológicos nos meus domingos. Não foi menos de uma vez que Já escancarei minha boca mostrando os dentes, mesmo sabendo que todo ser humano tem destino comum; a morte pra chegar. Nunca corri o risco de ser prefeito, minha participação política foi estudantil, então me safei também. Simplesmente o autor partiu muito cedo mas filosofou, foi além do seu tempo e sei que terá mais vários anos futuros, além dos mil. Eu, quantas vezes diante das minha dificuldades, não desisti, estou sempre “tentando outra vez” e nos meus momentos de desespero já pedi e peço socorro, pedindo que parem o mundo “porque quero descer”. Padeço consciente que já não consigo viver esse mundo de hoje, preciso de uma “sociedade alternativa”, como aquela do passado. Houve um tempo que eu corria pelas ruas pisando enxurradas, mas hoje tenho “medo da chuva” e peço ao meu “amigo Pedro”, aquele que tem as chaves, que me ajude diante dos meus pavores. Medos esses que me perseguiram quando andei sozinho, lutando contra meus fantasmas. Tive medo de “vampiros”, aqueles “doidões” que habitaram minha alma. Quantas vezes sugaram minha dignidade, absorvendo o que eu tinha de melhor no coração. Fiz mandinga, acreditando nas benzeções da vida, usando arruda, espada de São Jorge e até “capim guiné”, também plantei comigo ninguém pode. Quanto aos amores, nada demais, tive lá minhas coisas do coração e isso faz muito tempo, ainda na milha pouca idade. Numa época em que eu era meio “maluco e carimbei” meu tempo. Muitos dos meus planos não passaram do “prelúdio”, apenas tentativa frustrada de alcançar um objetivo traçado. Realmente fui apenas “metamorfose ambulante”, porque não coloquei em prática todas as “minhas opiniões formadas sobre o tudo”. Mas venho seguindo minha sina, estou com “fé na vida”, em Deus, suplicando que Ele intervenha ao meu favor. Para isso, além suplicar, rezar vou “ser sincero , desejar profundo”, na tentativa de ser “capaz de sacudir o mundo”. Vou exercer todos os meus direitos, pois todo homem tem direito “de pensar o que quiser, de amar a quem quiser, de viver como quiser, de morrer quando quiser”, então quero exercer esse poder se a Lei permitir, se nos der a proteção que se fizer de direito. Mas é assim a vida e as “coisas do coração”, porém não acredito na história da “maçã”. Mas “tenho fé na vida, no amor”. Então sigo Rauzito, que filosofou e cantou a vida, protestou, antecipou as verdades, presumiu o que hoje é a realidade. Dos Al Capones cantados por ele, tirando a nossa paz, vivendo em ilhas da Fantasia, temos muitos que não serão pegos pelas malhas do Imposto de Renda e continuarão gerando a desesperança. Nós, povo querendo que aconteça a magia, ai vou vivendo aos “trancos e barrancos”, sem acesso às “Minas do Rei Salomão”, pobre, acreditando nas “Profecias”, preparando o “canto para minha morte”. “Para o mundo que eu quero descer” e ser levado por um “moço do disco voador”, dentro de um trem que passe apitando e fumegando, me levando daqui, de repente para ser feliz!

Texto de José Airton de Oliveira