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Fogão de Saudade

Mandei fazê um fogão de lenha pra nós cunzinhá, cum forno bão pras umas quitanda nós assá. As panelas tudo de ferro num precisei de comprá, elas é de outras sodades dos tempos de longe que a gente faiz se lembrá, tudo comprada dum mascate que prá nóis vei ofertá. Quando nós comprô era tudo tão bão, de felicidade demais, dum monte de alegria que era de agradá. Entonces nunca esqueci desse acontecido que os anos fez passá. Sinto tanta farta daquela época que eu estava a matutá, ai eu resorvi de novo um povo ajuntá, aqueles que já sabe o que é bão e faz o gostá. Agora nóis tá pensando num fim de semana expermentá, fazê um ajuntamento pra tudo relembrá, vamu fazê umas cantoria, a viola tocá, comida cozinhada na hora, pra saudade matá! Ai eu a resorvi que nóis pode somá, contá uns conto bonito e umas prosa conversá, pra depois virá história e nóis podê espaiá. Ainda lembro dos dia que a gente ia pra chacra, pro final de semana passá, era a mesma gente de sempre, que nóis sabia gostá. Lá todo mundo bibia, nem tinha hora de armoça, a comida quentinha, quarqué hora pudia a fome saciá. Num fartava cerveja, tinha musica boa pra acumpanhá, galinha no quintar e dois ganso a grasná. A visinhaça era boa e num era de pertubá, tudo era um só festá, bebida e comida tinha pra se fartá, ovos frescos a vontade pra fritá, galinhada no terreiro esparramada a ciscá, mas era criada só pra botá eu num dexava nehuma matá. Nois passava lá toda semana e era bão pra daná, de manhã tinha café e chá pra isquentá, fervido cum ramos da horta que botava pra ferventá, umas prantinha que eu mesmo fiz prantá. Lembro ainda de outra casa que eu tinha do lado de cá, quando morei na cidade, tinha tudo agradá, tamém tinha fogão de lenha, uma piscininha pra meninada nadá e tamém servia pro povo grande refrescá. Um barcão de tijolo que nóis sentava pra degustá, os gostoso petisco colhido do conzinhá. Nois sempre dançava as musica de forrozá, sertanejo e vanerão que era, balançá o nosso coração que num queria sussegá. Bebia bastante cerveja de garrafa e de latinha mas nóis preferia os litrão que não deixava fartá. Ô abençoado tempo bão que num divia acabá, mais nem tudo é direito, o tempo parece vuá, tudo que nóis tinha naquele tempo acabô de passá, nós tá só vortando pra trais pra lembrá dos nosso tempo, aqueles do nosso amá. De todas as sodade ainda tenho pra guardá, um infância querida que demora a passá, queria que fosse infinita pra nunca se acabá. Lá tava quem eu gostava, isso eu vo confessá, mas ela casou, resolveu me deixá. A história é inventada, mas parte é de verdade, não tem nenhma falsidade, usei o inventá proceis podê se juntá, porque nessa via o que é bão, é sê feliz e amá. Pra sempre!

Texto de José Airton de Oliveira